Colunistas Saúde e Sociedade

A vacina nos faz gigantes

19/11/2021
A vacina nos faz gigantes | Jornal da Orla

Temos o orgulho de nosso Programa Nacional de Imunização – PNI, que permite termos uma das maiores e mais abrangentes coberturas vacinais do mundo, o que reflete diretamente na Taxa de Mortalidade Infantil – TMI do brasileiro. Vacinas salvam vidas. Doenças que abatiam nossas crianças aos milhares são páginas viradas. Varíola, poliomielite, sarampo, tétano neonatal e rubéola são doenças de gerações passadas. O PNI contempla não só as crianças, mas também adolescentes, adultos, idosos e gestantes. São 19 vacinas disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde e em postos de saúde itinerantes. Nada simples para um país com a quinta extensão território do planeta. Coisa que só o SUS faz por nós. 

A mortalidade infantil é um importante indicador de saúde e condições de vida de uma população. A sua taxa  é calculada pelo número de crianças que morrem antes de completar um ano de vida. Valores altos refletem más condições de vida e saúde e baixo nível de desenvolvimento social e econômico. Por outro lado, quanto menor seu valor, melhores são os serviços de atenção primária de saúde, que permitem maior acesso ao pré-natal e promoção do aleitamento materno, maior cobertura vacinal e acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança em seu primeiro ano de vida.  Esses fatores associados a melhoria na distribuição de renda, no nível de escolaridade materna, nas condições de habitação e alimentação, são fundamentais nesse processo. 

Temos tido grandes avanços nas últimas décadas. No ano de 2000, a TMI era de 29,0 por mil nascidos vivos; em 2010 passou para 17,0 e atualmente estamos próximos a uma taxa nacional de 13,0 óbitos por mil. De acordo com a Agência Brasil, o estado de São Paulo, com 9,75 alcançou a menor taxa já registrada, e a baixada santista com 11,1. A Organização Mundial da Saúde – OMS propõe como aceitável uma Taxa de Mortalidade Infantil de até 10 por nascidos vivos, o que revela que, apesar do evidente avanço, ainda não fizemos todo o dever casa. Podíamos estar mais próximos de países como o Japão, com taxa de 3,0 ou a pequena ilha de Cuba, com 5,0 e distantes do Estado do Amapá, com uma Taxa absurda de 23.0.

Em se tratando de perda de vidas, não podemos nos dar como satisfeitos ao atingirmos esse ou aquele número, e mesmo que tenha ocorrido melhora de nossos indicadores de saúde é preciso sempre dizer que somos uma nação cheia de contradições. Um país desigual, com cidades desiguais. Segundo a FVG – Fundação Getúlio Vargas, quase 13% de nossa população vive abaixo do nível de pobreza, ou seja, na miséria. Se esses dados forem estratificados por região, esses números vão nos revelar uma realidade que, vista do sofá confortável de nossas salas de estar, muitas vezes, se tornam invisíveis. Mas a realidade é implacável, bate à nossa porta. O IBGE nos informa que o número de desempregados no primeiro trimestre deste ano é de 14,4 milhões de pessoas, que somados a 5,6 milhões de desalentados, atinge uma Taxa de quase 29% de trabalhadores subutilizados e uma inflação crescente.

Saúde é um conceito integral de prevenção, tratamento de doenças e qualidade de vida. 

Se 95% dos brasileiros têm a cultura da vacinação incorporada em sua rotina e se temos um programa de vacinação gigante, com a fragilização cada vez maior da economia nos encaminhamos em sentido oposto às conquistas parciais que tivemos até aqui.

Economia forte e desenvolvimento que alcance todos os brasileiros é sinônimo de um povo saudável.