Saúde e Sociedade

O Mosquito mostra nossos limites

15/10/2021
O Mosquito mostra nossos limites | Jornal da Orla

Dizem os especialistas que eles preferem o clima quente, mas parece que foram tão bem tratados, que vieram para ficar entre nós. E não é à toa. Se as estações por aqui nunca foram tão bem-marcadas, parece que agora a confusão está feita. Calor no inverno, frio na primavera e por aí vai. O tempo está louco. Ou seria resultado de mudanças climáticas ou ciclos de temperatura que se repetem há séculos? 

Os catastrofistas já anunciam o fim do mundo. A realidade é que tudo nos leva a crer que vivemos tempos de esgotamento de recursos naturais do planeta. A queima de combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão, e o aumento do desmatamento nas últimas décadas, levam a um aumento na quantidade de gases causadores do efeito estufa na atmosfera. Estes dificultam a dispersão do calor dos raios solares elevando a temperatura no globo. Esse aquecimento global faz as temperaturas se descontrolarem. Vimos temperaturas de até 50 °C no Canadá, neve no Rio Grande do Sul e chuvas muito intensas inundando cidades da Alemanha e da China. Dias quentes durante nosso inverno e amenos neste início de primavera. 

O consumo dos recursos naturais do planeta evolui em progressão geométrica. A GFN (Global Footprint Network), organização não governamental que pesquisa a forma como o mundo gerencia seus recursos naturais e responde às mudanças climáticas, calcula e anuncia anualmente o chamado “Dia da Sobrecarga da Terra”, uma data mundial que marca o momento em que a humanidade consumiu todos os recursos naturais que o planeta é capaz de renovar durante um ano. 

Segundo a GFN, são utilizados recursos naturais equivalentes a mais de 74% da capacidade de renovação da terra. É como entrar no cheque especial, após esgotar o orçamento do mês. 

Para efeito de comparação, em 1987, o “Dia da Sobrecarga” foi alcançado em 19 de dezembro. Em 2015, esse marco foi alcançado em 13 de agosto. Passados quatro anos, em 29 de julho.

O governo brasileiro se mostra distante desse problema, apesar de ocuparmos a 13ª posição de maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, mesmo tendo, em contraste, uma boa biocapacidade, devido à Floresta Amazônica e de possuirmos um dos maiores setores de energias renováveis, com grande parte da eletricidade proveniente de hidrelétricas e parques eólicos. 

Por falta de aviso não é. O Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança do Clima advertiu que, se a temperatura média do planeta crescer acima de 1,5 °C, neste século, a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos aumentarão, como as ondas de calor e tempestades observados em todo o mundo nos últimos anos.

A população, de um modo geral, ainda não percebe a gravidade deste problema, talvez por sua complexidade, mas basta percebermos o aumento da incidência de doenças que antes eram mais prevalentes no verão. 

Recentemente, os jornais locais estamparam manchetes sobre os mais de 1 mil casos registrados de Dengue e centenas pessoas com Chikungunya. 

Segundo as prefeituras municipais, as ações de combate ao mosquito são permanentes, mas se mostram insuficientes para combater as larvas do mosquito Aedes. O vilão sempre foi a água parada nos vasos, ou reservatórios de água sem tampa. Mas esquecem da garrafinha de plástico ou alumínio descartada em qualquer lugar. 

A destinação correta do lixo e, antes, a diminuição do consumo de descartáveis, não fará bem somente ao planeta. Se fica difícil entender a dimensão planetária desse problema, que comecemos a preservar nossos ouvidos dos zunidos e nossa pele da picada desse mosquito, maldito, que aparecia só no verão e que agora não me deixa dormir o ano inteiro.