Saúde e Sociedade

Papo de elevador

17/09/2021
Papo de elevador | Jornal da Orla

Encontrar um vizinho no elevador nem sempre é uma experiência muito relaxante, especialmente aquele vizinho ou vizinha que você não tem ideia do,  andar e, muito menos, o apartamento que reside, o que faz ou deixa de fazer. Enfim, estes são segundos de “papo de elevador”:

 

– Bom dia. (sorriso amarelo. Olha para uma das paredes, arruma o cabelo no espelho. Se volta para o vizinho)

 

– Esse tempo não está fácil, não?

 

– Esse vento quente e seco acaba com a gente – diz o vizinho. 

 

– Verdade. O clima está mudando.

 

O elevador para no 6º andar impedindo a conversa de continuar. Você solta outro sorriso amarelo e a porta do elevador se abre, e nela, o vizinho desaparece, dependendo do caso, para seu alívio. De qualquer forma, se tempo tivesse, seria uma grande oportunidade para comentar sobre esse fenômeno climático tão característico dessas terras, o vento noroeste.

 

Nessas horas, tal como médico, técnico de futebol e especialista em vacinas, viramos também, meteorologistas, e nosso currículo vai crescendo!

 

A impressão que temos é a de estarmos dentro de uma panela de pressão. Como os ventos sopram do continente para o mar, tornam-se mais fortes ao descerem por essa verdadeira muralha que é a serra do mar; e, quanto mais pressão, mais quente. Assim, o vento morno do interior, torna-se quente e a temperatura sobe e, com o tempo seco, característico dessa época do ano, o desconforto aumenta.

 

Como eu, quanta pretensão, Vinícius de Moraes, em seu antológico livro “Para Viver um Grande Amor”, de 1962, escreveu a crônico “Vento Noroeste”. Ele, poeta, eu, médico escrevinhador. 

 

Diz ele: “Ou muito me engano (e, nesse caso, corrija-me o Gabinete de Meteorologia) ou foi mesmo o vento noroeste que se pôs desde desoras de anteontem a soprar sobre a cidade, secando o coração das gentes. O vento desceu subitamente do céu da madrugada, onde brilhava, numa lucidez de entreloucura, grande como uma lágrima noite, a desvairada estrela da manhã”. Que maravilha!

 

Fora o “papo de elevador” e a prosa de Vinícius, o clima, subitamente quente e seco, pode trazer alguns prejuízos para a saúde, principalmente, de crianças e idosos. Para evitar maiores problemas, devemos ter cuidados com a pele, mucosas do corpo e vias respiratórias.

 

Beba bastante água, utilize hidratantes labiais, hidrate a pele, evite ambiente fechados forrados de carpete ou cortinas que acumulam poeira, tome banhos rápidos, e, se possível, use umidificador de ar.

 

Depois dessa, é só torcer para embarcar no elevador com um vizinho do 10º andar. Além de comentar sobre os cuidados à saúde necessários nesta época do ano, você pode citar a crônica de Vinícius de Moraes; ou quem sabe, esta minha crônica não sirva de estímulo para você conhecer melhor a obra do “Poetinha”.