Saúde e Sociedade

Os pets viram estrelas e a moda sai de moda

29/04/2022
Alex Ponciano

Com o Trabalho remoto, os Pets têm ficado cada vez mais em evidência. Não é raro um profissional famoso, em aula ou reunião, aparecer com seu pet no colo, depois destes chamarem a atenção dos internautas com latidos e miados. Os mais exóticos, convivas de cobras e lagartos, já não têm esse problema. Ao contrário de quem fala “cobras e lagartos” do chefe, pego de surpresa, achando que está off line. Provável demissão.

Os hábitos vêm mudando muito, o que a pandemia fez acelerar. O trabalho remoto, que vinha sendo uma alternativa cada vez utilizada por grandes empresas, passou de necessidade a oportunidade por seu potencial de gerar mais eficiência e eficácia no trabalho. O “vamos tomar um café ou almoçarmos para decidir aquele problema do trabalho”, virou “vamos marcar uma call”. Perde-se no contato presencial, mas ganha-se na resolutividade de problemas; e, mudam-se os hábitos. De acordo com pesquisa de um grande instituto, em 2017 e sem o impacto da pandemia, 61% dos funcionários entrevistados afirmaram serem realmente mais produtivos quando sua maneira de se vestir no seu home office era mais descontraída. E o hábito faz o monge. A informalidade determinada pelo trabalho em casa, permitiu a estes, que ainda são privilegiados no Brasil, usarem uma roupa mais casual ao invés da roupa formal de escritório. “A produtividade ficou em primeiro plano e a vestimenta saiu de questão, são novos tempos”, concluiu a pesquisa.

Durante o século e XVIII e XIX, a tuberculose dizimou grande parte da população na Europa. À época, e para alguns, ainda hoje, a pele branca e protegida do sol era indício de riqueza e o trabalho braçal ao ar livre “reservado” a escravos e empobrecidos. Com a tuberculose atingindo os vitorianos na Europa, a doença ganhou apelidos como “peste branca” devido à quantidade de peso que os enfermos perdiam, e pela aparência extremamente pálida que adquiriam. Até que a maquiagem e o uso de espartilhos, que afinavam as cinturas femininas e não as deixavam respirar direito, caíram em desuso porque a moda notou que se assemelhar ao estado de uma pessoa doente poderia ser agorento. Os espartilhos foram ficando mais frouxos e as saias mais volumosas, dando um efeito de cintura mais fina. Com o melhor entendimento sobre a transmissão da doença, os homens passaram a raspar suas longas barbas e costeletas com o fim de evitar que a saliva se acumulasse nelas e facilitasse a doença, e as mulheres perceberam que não era higiênico arrastar a bainha de seus longos e pesados vestidos pelas ruas e carregar lixo e saliva com bactéria para dentro de casa. Foi aí que a moda encurtou as caudas pela primeira vez e trouxe um pouco mais de conforte feminino.

A internet 5G e a indústria 4.0 batem à nossa porta e os robôs são uma realidade dentro de nossos centros cirúrgicos. Que venham novos e saudáveis hábitos, pois a moda é só uma das expressões visíveis da cultura de uma sociedade. Quanto aos pets, que eles continuem cada vez mais pop star.

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