
No próximo dia 19 de outubro o nosso saudoso Vinicius de Moraes, poeta, diplomata, jornalista, compositor e intérprete da MPB e um dos criadores da Bossa Nova, completaria 112 anos.
Por mais estranho que possa parecer, o saudoso poetinha teve uma intensa relação de amor com o Jazz, quando viveu nos Estados Unidos, mais precisamente em Los Angeles, entre os anos de 1946 e 1951, exercendo funções diplomáticas, como vice-cônsul, e de lá escrevia textos e artigos muito interessantes para as revistas e jornais brasileiros, falando sobre a sua descoberta pelo gênero.
Para descrever este período ainda pouco conhecido da vida de Vinicius de Moraes, foi lançado em 2013 (ano do centenário de seu nascimento), o livro “Jazz & Co.”, pela Editora Companhia das Letras e que contou com a organização, prefácio e notas do competente Eucanaã Ferraz.
O formato do livro, que lembra um disco “compacto simples”, traz também belas fotos e um ousado projeto gráfico, que surpreende pelo bom gosto.
Dividido em 3 partes: “Jazz Jazz” (melhor parte do livro e a mais extensa com vários textos importantes), “Jazz & Cinema” (uma compilação de suas resenhas sobre os musicais da década de 40 que tinham o Jazz como base de suas músicas) e “Jazz & A América” (composta apenas de poemas), o livro, nas suas 152 páginas, nos leva a uma deliciosa viagem pelo tempo, ao lado deste ser humano genial que escreveu sobre a turma do cinema de Hollywood e sobre o pessoal do Jazz.
Ele escreveu todos os textos com absoluta propriedade, afinal, pode vivenciar ao vivo, nos bares e casas de shows mais importantes da época, grandes momentos musicais.
E Vinicius foi um dos primeiros a falar de Jazz no Brasil e conseguiu traçar rotas paralelas por onde andaram o Jazz e a Bossa Nova.
Seus amigos eram o cineasta Orson Welles, Carmen Miranda, o trompetista e cantor Louis Armstrong (seu grande ídolo), a cantora Sarah Vaughan, que estava no início de carreira e por lá pode acompanhar o nascimento do “Bebop” e do “West Coast Jazz” e ouvir por repetidas vezes, apresentações da cantora Billie Holiday. Nada mal, não é mesmo.
Um ponto curioso, é o fato de Vinicius de Moraes não gostar de George Gershwin, um dos compositores mais importantes de todos os tempos e curiosamente um dos preferidos do seu grande parceiro na Bossa Nova, Tom Jobim. Ele considerava Gershwin como “o melhor dos três piores músicos do mundo”. Neste aspecto, terei que humildemente discordar do querido poetinha.
Os irmãos George & Ira Gershwin compuseram clássicos muito importantes para a história da música. Gostaria muito de saber qual a razão do nosso saudoso poetinha não gostar das músicas da dupla.
E os amores na vida de Vinicius foram muitos e eternos enquanto duraram. Foi assim que ele nos ensinou. Para sempre, Vinicius. Para sempre, o Jazz.



Deixe um comentário