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Sinagogas – Ontem e Hoje

07/05/2026 Bárbara Camargo
Sinagogas – Ontem e Hoje | Jornal da Orla

Seja qual for a sua origem, as sinagogas floresceram lado a lado com o antigo culto do Templo e existiam muito antes do sacrifício judaico e do sacerdócio estabelecido serem erradicados com a destruição do Segundo Templo. A partir daí, as sinagogas assumiram uma importância ainda maior como ponto focal incontestável da vida religiosa judaica.

Embora as sinagogas existissem muito tempo antes da destruição do Segundo Templo em 70 EC, a adoração comunitária no tempo do Templo ainda estava focada principalmente em korbanot (os diversos tipos de sacrifícios e ofertas dentro do judaísmo) trazidos pelos Cohanim (linha do sacerdócio Aarônico da sucessão rabínica) no Templo em Jerusalém. O serviço Yom Kippur durante todo o dia era um evento no qual a congregação observava os movimentos do kohen gadol (“sumo sacerdote”) enquanto ele presidia as tradições e procissões do dia e administrava orações pelo sucesso.

As primeiras funções da sinagoga não estavam associadas à oração, mas sim ao estudo e reunião judaica. Os primeiros rabinos não eram celebrantes de ritos religiosos, mas professores de textos religiosos; de fato, a palavra rabino significa “meu professor”.

A sinagoga é denomidada de vários nomes diferentes. Os israelenses usam o termo hebraico beit knesset “casa de assembleia”. Judeus chassídicos ultraortodoxos têm tradicionalmente usado o termo shul (mesma raiz do alemão Schule, ‘escola’) na fala cotidiana. Judeus sefarditas e judeus romaniotas geralmente usam o termo kal (do hebraico ḳahal, que significa “comunidade”). Os judeus espanhóis chamam a sinagoga de esnoga e os judeus portugueses chamam de sinagoga. Judeus persas e alguns judeus caraítas também usam o termo kenesa, que é derivado do aramaico, e alguns judeus mizrahi usam kenis ou qnis.

Reunir-se para estudar e orar tornou-se particularmente importante durante o exílio na Babilônia, depois que o primeiro Templo foi destruído. Estudiosos judeus acreditam que a promessa reconfortante de Ezequiel de que Deus providenciaria um “santuário” para seu povo é uma referência aos pequenos grupos que se reuniam em casas nessa época.

Essas pessoas piedosas, tendo aprendido uma dura lição sobre a importância de obedecer a Deus, não quiseram repetir os pecados de seus ancestrais. Eles se reuniam regularmente para lembrar a aliança, a lei e as promessas de Deus. Pequenos grupos de especialistas em direito e interpretação se reuniam em locais humildes chamados “casas de estudo”. Essas casas de estudo e a reflexão sobre a necessidade de serem obedientes são as raízes da sinagoga, um santuário para inspirar a obediência a Deus.

No entanto, a evidência arqueológica mais antiga vem do Egito são de pedras datadas do século III aC provam que as casas de oração judaicas existiam naquela data.

De acordo com a tradição judaica, os homens da Grande Assembleia (por volta do século V AEC) formalizaram e padronizaram a linguagem das orações judaicas. Antes disso, as pessoas oravam como bem entendiam, com cada indivíduo orando à sua maneira, e não havia orações padrão que fossem recitadas.

Johanan ben Zakai, um dos líderes no final do período do Segundo Templo, promulgou a ideia de criar casas de culto individuais em qualquer local em que os judeus se encontrassem. Segundo muitos historiadores, isso contribuiu para a continuidade do povo judeu, ao manter uma identidade única e uma forma portátil de adoração, apesar da destruição do Templo.

A maioria dos estudiosos acredita que as sinagogas se tornaram importantes durante o cativeiro judeu na Babilônia. A Enciclopédia Judaica argumenta: “Os Exilados, privados do Templo, em uma terra estranha, sentindo a necessidade de consolo em sua aflição, reuniam-se de tempos em tempos, provavelmente no Shabat, e liam as Escrituras.” Ao serem libertados de seu exílio, os judeus evidentemente continuaram a se reunir para orar e ler as Escrituras, e estabeleceram sinagogas onde quer que se estabelecessem.

À medida que a liturgia evoluiu e se formalizou, tornou-se necessária a perícia na recitação, uma vez que era feita de memória antes do desenvolvimento da produção em larga escala de livros. A pessoa instruída que liderava a congregação em oração, era considerada seu representante – em hebraico, sh’liach tzibbur. Inicialmente preenchido por um leigo comum com maior conhecimento, o papel evoluiu com o tempo para uma profissão, o chazan.

Embora a leitura da Torá separasse a sinagoga de outros edifícios públicos ou locais de culto, a Torá não era a única característica definidora da sinagoga. Outros traços distintivos incluíam as atividades que aconteciam dentro das mesmas, bem como a arte e a arquitetura das próprias estruturas.

Após a destruição do Segundo Templo e a ascensão do judaísmo rabínico, uma forma mais democrática de adoração, começou a se enraizar, assim como conceitos como urbanização e institucionalização, que se espalharam por todo o Império Romano e, posteriormente, Bizantino.

Além disso, com o fim do período do Templo, veio o fim da prática do sacrifício, e assim a leitura da Torá preencheu o vazio. Como resultado, a Arca dos Pergaminhos e o santuário da Torá se desenvolveram, eventualmente emergindo como o ponto focal da sinagoga, representando um símbolo de sobrevivência e preservação.

Quase todas as sinagogas antigas na terra de Israel apresentam vestígios e fragmentos de um santuário da Torá, seja na forma de uma plataforma elevada como base para a edícula, ou um nicho. Esta evidência demonstra a importância do santuário da Torá como uma das poucas características consistentes dentro da antiga sinagoga. No entanto, o aparecimento do santuário da Torá não foi o único traço emergente que acompanhou a ascensão do judaísmo rabínico.

Ao contrário da exclusividade do ritual mediado por sacerdotes atribuído ao Templo, os participantes da antiga sinagoga já estavam envolvidos na realização e condução de cerimônias, recitação de orações e leitura da Torá. Uma nova natureza participativa do culto foi se desenvolvendo durante este período e foi preservada através dos vestígios arquitetônicos.

Como as sinagogas não eram restritas a um local específico, e como não existe um projeto uniforme ou planta baixa das antigas sinagogas, a comunidade tinha, e tem, liberdade para construir as estruturas de acordo com seus próprios requisitos locais. Podem estar localizadas à beira-mar, nas margens dos rios, no centro da cidade ou em bairros residenciais. A única característica comum encontrada em termos de localização é a conveniência para a comunidade.

A sinagoga deve ser entendida como um mediador físico entre o indivíduo e a comunidade em geral. Como espaço público, a sinagoga tornou-se um ponto focal no judaísmo, assim como o Templo foi.

Como estrutura, a antiga sinagoga pode ter consistido em um único edifício público ou um complexo incluindo salas e pátios, e o layout de cada edifício variava. Por exemplo, a presença de quartos extras sugere várias possibilidades. Por exemplo, pode apontar para a existência de uma sala de jantar comunitária, escola, banhos rituais (miqva’ot) ou espaço adicional para circunstâncias como Rosh Chodesh (novo mês) ou o Shabat.

Uma sinagoga típica contém uma arca (onde são guardados os rolos da Lei), uma “luz eterna” queimando diante da arca, dois candelabros, bancos e uma plataforma elevada (bimah), da qual as passagens das escrituras são lidas e da qual, muitas vezes, os serviços são realizados.

O papel do rabino também se expandiu nos tempos modernos; o rabino passou a ser visto como um clérigo – não apenas um professor, mas um pastor, um pregador, um ministro e um administrador, que supervisiona as inúmeras atividades da sinagoga e atende o público imediato. Em algumas comunidades, espera-se também que o rabino represente os judeus e o judaísmo para a comunidade não judaica.

As sinagogas modernas exercem as mesmas funções básicas associadas às sinagogas antigas, mas acrescentaram programas sociais, recreativos e filantrópicos conforme a demanda dos tempos.

São instituições essencialmente democráticas estabelecidas por uma comunidade de judeus que buscam a Deus por meio da oração e dos estudos sagrados.