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Que venham as flores

04/10/2025 Luiz Dias Guimarães
Envato

O vento da insensatez não respeita estações. Talvez tenha seu próprio ciclo e, quando surge, devassa o tempo, às vezes desfolha a árvore, ceifando tantas vidas. Então o vento se esvai, deixa cicatrizes, dores e saudade. Mas a renovação faz brotar a esperança, ao restabelecer o bom senso e o verdadeiro sentido.

Havemos de ser resilientes, agarrados ao propósito de estar aqui e amar, ainda que distante. Somos folhas agarradas nos galhos e por vezes espantamos os pássaros, outras desafiamos o sentido de viver em harmonia, nos achamos superpoderosos e fazemos do ódio a tormenta.

Não, não vamos nos abater. Já enfrentamos rigores maiores, tufões que geraram fungos, umidades que fizeram brotarem ervas daninhas a solapar os brotos dos valores reais da civilização.

O que aflige de tempo em tempo é a insensatez, os espíritos da radicalização que sorrateiramente nasce nos caules e domina nossas mentes.

Por alguma razão, o vírus com cara de verdade corrói os sentidos e resseca as fibras que nos irrigam e nos mantêm saudáveis. Sim, põe-se em risco a saúde da ética e da moral, a fluidez do sangue que irriga o coração.

Há na árvore da humanidade o medo quando no horizonte vislumbramos a borda do perigo. Mas também há na natureza a teimosia do sentimento, ainda que acobertado, da sensatez, que faz a lucidez do equilíbrio prevalecer, tantos são os pesos espalhados nos galhos para todos os lados que o vento não consegue abater.

Folhas querem viver, as aves se alimentar, e os sonhos brotar no húmus fertilizado da esperança. Afinal, o prejuízo é de todos que vivem nessa árvore.

O vento pode envergar o tronco, mas existe debaixo da fértil terra ramos de raízes, das quais nasce a força, e nelas circula a seiva da lucidez e da fé.

Livre-se o vento do nefasto mazelo.

Todo vento tem sua brisa e também sua ventania. O mesmo que refresca pode congelar. E nesse caso, tende a matar as flores que, alvoroçadas de euforia, germinam para se entregar no lugar das balas que voam pelo caminho.