
Sei que existo, mas minha dimensão é infinitamente maior do que penso ser. Tenho pensado muito em Deus, seja Ele quem parece ser para você. Não, não estou falando de religião. Falo de existência, da vida no universo que conseguimos enxergar. Festejei meu Natal com uma visita à Igreja do Embaré, em Santos, que em tempos de menino frequentava diariamente.
Olhava para a cúpula como quem olha para o céu. O Papa lembrou há dias o quão imenso é o conjunto de estrelas, e quão poucas vemos, ou sequer notamos em nossas noites aflitas.
Este milênio está escancarando a verdade. O megatelescópio James Webb descortinou minha casa infinita. Vivo num imenso condomínio de galáxias, bolhas, gases e energia.
Li que cientistas dividiram um fóton, aquela partícula elementar da luz e de toda a radiação eletromagnética, energia sem massa e sem carga elétrica, que viaja na velocidade da luz. Pois é, conseguiram dividir em duas partes. Uma, enviaram por fibra ótica para onze quilômetros a Leste. A outra parte, onze quilômetros a Oeste. E quando tocaram na primeira, imediatamente a segunda reagiu.
Lembrei como agem os gêmeos, lembrei quando ligo para alguém e me atende assim: “Nossa, estava pensando em você!”. Lembrei as vezes em que vivi um dejà vu.
Contemplei a cúpula da Igreja pensando nos arquitetos, nos engenheiros, nos artistas e artesãos que fizeram aquela obra prima. E saí caminhando pelos jardins.
Quem foi que inventou as cores, as pinceladas das flores e dos passarinhos como quem pintasse um quadro? Quem foi que diversificou o quadro? Afinal, da mesma terra brotam rosas e capim.
E esta carcaça, que ambula com meus pensamentos, nesta hora em que penso no futuro, à beira do novo ano que se avizinha? Quem foi o mecânico que, embrenhado neste planeta perdido na imensidão do universo eterno, desenhou esta máquina de carne, ossos, vísceras e sangue, em movimentação constante, com peças cada qual numa função determinada?
Não, não é loucura pensar nisso tudo. Loucura é achar que não existe uma inteligência mágica que tudo cria e rege esse mundo como um maestro. Loucura é achar
que tudo surgiu do nada, feito o raio do sol, para saboreio do que
a sorte presenteou.
Estamos em tempos de revelação. Muitas informações que ficavam escondidas são agora expostas entre fragmentos de mentiras e exibição nas redes sociais. É como escolher feijão numa vasilha de tantos paus e pedras.
Quem estiver atento entenderá que, afinal, o tempo é só uma marcação, a existência é atemporal, como desconfio piamente que o espaço sobrepõe realidades. E, acima de tudo, que a rigor, somos meras energias, com ou sem massa, por vezes revestidas na vibração dos sons e dos pensamentos, rigorosamente interligadas.
Como o fóton, como o mosaico dos santos que, feito estrelas, enfeita o teto desta bela Igreja.



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