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01/11/2025 Luiz Dias Guimarães
Envato

Efêmera é a vida. Indelével, a lembrança do que se passou por aqui. Tudo tem um tempo no tempo em que a vida sopra antes de partir. O amor, a surpresa, até o sucesso e a perdição. Mesmo que doa como a traição da amante ou o golpe do amigo.
Mas a felicidade, ah, essa bendita é o sentido da espera, a busca do que se perdeu ou ainda não se alcançou, a expectativa do que poderá vir, ou poucas vezes o que se espraia no agora e frequentemente não nos damos conta.

É comum perder a vista do ônibus certo que faz a curva no fim do dia cansado. Mas, do sol que abrilhantou o dia, ainda que por parco instante, na beira do oceano que lava todas as aflições, esse jamais esquecemos e são nossas mais tenras lembranças.

O lampejo da vida que nos é destinada é sempre gasto com as escolhas e com as determinações que nos limitam nas chances dos caminhos. Mas mesmo estas, ainda que bafejem lamúrias, não determinam por onde seguir.
Gastamos os dias mirando os sonhos, combustível que se respira, ou lembrando momentos de um dia que não morreu. A sacola que carregamos no trem cadenciado, que dá corda ao coração, tem sonhos e lembranças.

Na bagagem, às vezes uma descartável sacola de supermercado – em outras, uma bolsa de couro de grife –, pairam sonhos e lembranças que sacodem alternadamente enquanto, na cadência do tempo, percorremos os trilhos. Se não, inesperadamente, descarrilamos. É o nosso destino que nos anima, volátil como os desejos.

As lembranças, voláteis jamais! Sonhos e desejos, que aquecem o sangue, são volúveis como o amor e a esperança. Mas o cheiro, a música e a imagem retida na retina do passado, essas jamais se perdem na estrada que, aos solavancos, percorremos. Porque acariciaram a alma em simples momentos.

Sim, no balanço ritmado da viagem, são as percepções registradas na fagulha da memória que se perpetuam e contam nossa história. É o que trazemos de real no frigir da vida. O que virá, além do túnel que inclementemente devassamos além das retas que nos animam, é a esperança de sentir de novo o que ficou por um dia do passado e paira no fundo da mala. Sem grifes nas etiquetas, o que trazemos são originalmente únicas lembranças, de cada passageiro, que segue o caminho sem às vezes sequer saber para onde ir, com sua trouxa de saudade no colo.

Essa é a indelével verdade sobre uma efêmera vida. Pelas lembranças, daríamos parte do que ainda nos resta. Pois no fim, o que mais desejamos, é reviver sensações que já vivemos, ainda que por algum momento, em algum tempo, em algum lugar.