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Família ensina tudo

27/10/2025 Hudson Carvalho
Envato

Se queremos associar a capacidade emocional que teremos ao longo da vida para desenvolver comportamento adequado ao ambiente empresarial, a vida em família é o mais impactante.

Minha observação vem do desenvolvimento da Inteligência Emocional. Amadurecemos até os 25, mas a formação dá-se de 0 a 7 anos, período em que mais estamos expostos às relações familiares.

É certo que evoluímos, mas a base emocional estará formada. Meu pai dizia: “Aproveite o que te digo. Eu não duro para sempre”. Na sua sabedoria, queria dizer, que a vida pode ensinar, mas não com a doçura com que a família o fará.

Todos temos uma história para ilustrar essa linha de raciocínio. Preferi usar a de Abraham Lincoln, eleito e reeleito, 16º presidente dos Estados Unidos, personagem central da libertação dos escravos nos Estados Unidos, o estopim de uma guerra civil que permeou seus dois mandatos, durou quatro anos, dividiu um país e causou a morte de aproximadamente 700 mil pessoas.

Coragem e determinação. Quanto dessas qualidades terá trazido de sua vida familiar?

Era filho de um carpinteiro e de uma dona de casa, que faleceu cedo. Seu pai casou-se novamente. Teve dois irmãos, três meio-irmãos, 18 sobrinhos, esposa, quatro filhos (três deles faleceram antes dos 18 anos), três netos e dois bisnetos. Antes de ser presidente, foi deputado, lenhador, barqueiro, dono de loja, chefe dos Correios e topógrafo, além de advogado: “Honest Abe”, como era chamado.

Por que os detalhes? Para mostrar que uma vida de dificuldades não o impediu de ser um dos maiores personagens da história. Você, como eu, deve conhecer profissionais de excelência forjados sob condições difíceis, que são também grandes seres humanos.

O que aprendemos na vida em família deve ser levado para nossas carreiras.

Primeiro, responsabilidade. Cumprir tarefas domésticas, cuidar dos mais novos, de animais de estimação, com tudo que pode dar certo ou errado, é base para aprendermos a seriedade que há nas consequências de nossos atos.
Outro ponto que aprendi com tarefas domésticas: na minha casa não eram distribuídas por gênero. Minha irmã e eu fazíamos o que nos era determinado. Também nunca vi meus pais evitando tarefas. Isso deixou claro para mim o respeito pela igualdade entre homens e mulheres. Somos seres humanos, cada um com as suas características. Só.

Empatia é outra habilidade que temos oportunidade de exercitar. Sua ausência pode destruir famílias, como destrói equipes, mesmo as mais capacitadas.

Trabalho em equipe, algo que a vida moderna dificulta no convívio familiar, mas que devemos manter presente, por ser uma das competências mais valorizadas no ambiente organizacional. Em casa, com nossas duas filhas, uma morando fora da cidade e outra casada, fazemos questão de cozinhar juntos os almoços de domingo. São as melhores refeições.

Ética, talvez o traço de comportamento que, se não aprendido em casa, será aprendido com mais dificuldade fora dela. Do pequeno ao grande, só devemos manter conosco o que nos pertence. Coisas materiais e não materiais. Ai de nós se chegássemos em casa com algo que não nos pertencesse.

Autoconfiança pode ser aprendida no ambiente familiar. Quantas vezes falhei e recebi a compreensão dos que estavam à minha volta, me ajudando a compreender onde havia falhado.

Lembro do dia em que consegui andar de bicicleta sozinho, depois de tantas corridas com meu pai me ajudando a manter o equilíbrio. Ele soltou o selim, me soltou para a vida e continuei a pedalar até hoje, só parando para ajudar minhas filhas a pedalarem sozinhas.