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Você está pronto para “passar a vez”?

01/12/2025 Hudson Carvalho
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O  árabes fizeram inúmeras contribuições para a ciência e para a humanidade. Listo algumas para que você perceba a dimensão do que quero dizer.  Difundiram e aperfeiçoaram os números indo-arábicos (0, 1, 2, 3…), substitutos dos numerais romanos. O conceito de ZERO chega ao Ocidente por suas mãos. A

Álgebra e os Algoritmos são suas contribuições também, além da medicina (os hospitais como os conhecemos hoje), farmácia e astronomia.

Quem não conhece suas contribuições para a arquitetura, engenharia e as “Mil e Uma Noites” de sua Literatura? Um povo que vem deixando um legado e tornando o mundo melhor. É sobre legado que quero refletir hoje.

Como ficará minha empresa, minha Família, o mundo, quando eu não estiver mais aqui?

É o tema e um problema. “Uma rima, mas não uma solução”, como disse Drummond.

Ninguém gosta de se imaginar fora do jogo, mas, numa das rodadas, seremos obrigados a “passar a vez”. A partida pode até ter prorrogação, pênaltis, mas não será infinita.

Esse incômodo tem fundamento: para falar de legado preciso falar também de finitude, eufemismo para não usar palavras mais duras, como morte ou final da carreira.

No sentido físico, corporativo, o sentimento de terminar pode ser amargo, dependendo de como você constrói o seu legado. No Tabuleiro do Jogo da Vida e das

Carreiras cada atitude conta. É interessante observar o nosso estilo como jogadores.

Há os que escondem os dados na mão. Não delegam. Travam o tabuleiro. Têm a ilusão de que, ao atrasar o jogo dos outros, garantirão mais rodadas para si. O máximo que conseguem é deixar o time impaciente e o tabuleiro confuso. Deixam pouco legado, pois confundem controle com contribuição.

Existem aqueles que jogam olhando só para o próprio placar. São os que organizam tudo para maximizar a “pontuação” individual — bônus, visibilidade, poder. Até avançam algumas casas, mas não constroem nada que continue existindo quando levantam da cadeira. Sua “obra” morre com eles.

No jogo da carreira, o placar um dia zera para todos. O que não zera é a forma como nos conduzimos a cada rodada.

Há, entretanto, os que sabem jogar bonito. Dá gosto de ver, mesmo não estando envolvido na partida.

Esses constroem o verdadeiro legado. Entendem que o jogo é coletivo. Fazem suas jogadas — boas, brilhantes — mas deixam a mesa melhor arrumada para quem vem depois. São visionários, ensinam as regras para os novatos e deixam cartas preparadas para facilitar a vida de quem vier a assumir. Sabem que “ganhar” não é ficar mais tempo, e sim permitir que o jogo continue.

Essa é a ironia: quem tenta ficar mais tempo jogando, perde o jogo. Quem se apega demais à própria posição, adiando a próxima rodada, deixa um tabuleiro bagunçado, peças quebradas, regras confusas. Quantos jogadores terá tirado da mesa?

Quem aceita passar a vez com elegância é lembrado com respeito — não por permanecer mais, mas por permitir que outros também brilhem. Quantos outros jogadores brilhantes inspirou?

Como sou muito preocupado com esse tema e outro associado, que é a reputação, já ouvi várias definições sobre legado. A que mais faz sentido para mim é a que diz que “legado é aquilo que continua produzindo efeitos, para além da nossa presença”. Não é preciso morrer, no sentido literal, para deixar um legado. A cada lugar em que passamos, uma parte de nós fica. Será boa, ou nem tanto?

Como dizem, “há dois dias importantes na vida: o primeiro e o último, porém o mais importante é o que você faz entre eles.”. É durante esse “meio tempo” que você constrói seu legado.

Como você quer ser lembrado?