
Já vi esta frase, escrita de tantas formas diferentes, que torço para que seja realmente do Sr. Ford. É possível. Foi um homem à frente de seu tempo. Idealizador da forma de produzir automóveis que permitiu o aumento da produtividade e a redução dos custos de produção a tal ponto que tornaram os carros um artigo acessível a muitos. Quase todos os tipos de indústria o copiaram e o sistema funciona até hoje.
Há outra frase, de Benjamin Franklin, na mesma linha: “Se acha que a instrução é cara, experimente ignorância”. Por trás das duas está implícito o receio de colocar recursos para capacitar um profissional e depois perdê-lo para a concorrência.
Vejo isso no meu dia a dia. Confundir despesa com investimento. São coisas diferentes. O primeiro você gasta porque não consegue evitar. São o aluguel, os insumos, os impostos. A segunda você “gasta” para receber ainda mais. O retorno vem da maior produtividade e engajamento que o colaborador treinado passa a ter.
É possível que venhamos a perdê-lo? Sim, é um risco do negócio. Se você tem esse temor a tal ponto de manter alguém menos capaz do que deveria, eu pergunto: que tipo de negócio você está gerindo?
O raciocínio deveria ser o contrário. Se alguém decide sair, seguimos a vida com os demais bem treinados que ficaram. Perceba que as perspectivas são diferentes, dependendo de quem é você nesse cenário.
Se você é colaborador e sente a falta de investimento em treinamento, “faça você mesmo”. Treine-se, melhore-se. O ideal seria que gestão e investimento fossem compartilhados com seu empregador. Mas, se isso não acontece, siga com suas próprias pernas. A responsabilidade por sua carreira é…sua e de ninguém mais.
Se é líder, promova oportunidades de gerar conhecimento para sua equipe, mesmo que a empresa não lhe dê recursos para isso. Não pense que a instrução vai criar alguém que pode, um dia, tomar o seu lugar. Continue crescendo. O risco de ser ultrapassado diminui e mantém você na linha das futuras promoções.
Se sua posição é na alta direção, cuidado redobrado. Olhar atento à linha do orçamento dedicada à educação e desenvolvimento do pessoal. Atenção aos valores e à posição. Se estiver em despesas, cuidado, pelas razões que demonstramos acima.
Para colocar alguns parâmetros, abro aspas para a Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento – ABTD em sua pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil.
“(no Brasil)… o investimento anual em treinamento é de 1,84% da folha de pagamento, com um investimento médio anual por colaborador de R$ 1.222,00. Nos EUA, o investimento é (…) maior, chegando a R$ 6.673,00”.
A simples comparação entre o que investimos no Brasil e nos Estados Unidos fala por si. É só olharmos o resultado que cada economia produz.
Mais um trecho do estudo: “65% dos respondentes avaliam o aprendizado e a aplicabilidade dos treinamentos, mas apenas 9% avaliam o impacto no negócio ou o ROI (Return On Investment ou Retorno Sobre o Investimento ).
Entre os principais indicadores de efetividade está a aplicabilidade do treinamento aos resultados do negócio, em 29%. Só isso?!! Quem está decidindo em quais treinamentos investir?
Atenção, RH: é por números como este que muitos ainda investem pouco em treinamento. Se apenas (quase) um terço que que foi investido contribui para os resultados, algo está errado.
Se queremos ser considerados uma área estratégica, temos que pensar e agir estrategicamente.
Ou preferimos uma boa justificativa?



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