
A Noite de Estudos Para Receber a Torá
O Zohar nos ensina que na noite de Shavuot fazemos um importante ‘Tikkun’. Este Tikkun é um estudo noturno em preparação para a entrega da Torá na manhã seguinte.
A palavra Tikkun geralmente está relacionada a ‘Correção’ mas também significa melhoria (תקן,תיקון), instalação (התקנה) e קישוט, ‘decoração’.
Durante a noite nos conectamos às ‘decorações da noiva’ onde a noiva, o aspecto da Shechiná inferior. Malchut sobe para se unificar com a Luz.
Inicialmente, Shavuot era um festival da colheita do trigo. Antes da destruição do Segundo Templo em Jerusalém, os judeus dos tempos antigos traziam os primeiros feixes da sua colheita de trigo para o Templo e Shavuot tinha também o nome de Chag Habikurim, o Festival das Primícias.
Após a destruição do Segundo Templo, os judeus foram dispersos na Diáspora e a terra foi abandonada.
Nossos sábios então mudaram o foco do festival, da terra para o homem, e do espaço para o tempo. E quando dizemos “tempo”, a intenção é para uma data específica – 6 de Sivan – que, segundo a tradição judaica, é a data em que a aliança foi estabelecida no Monte Sinai.
Uma explicação sobre o motivo de ficarmos acordados para mostrar que, ao contrário da situação dos nossos antepassados de pálpebras pesadas no Sinai, não há necessidade de nos fazer recobrar o juízo; estamos prontos para receber a Torá.
Entretanto, no início da Idade Média, quando o centro do ensino judaico se deslocou da Babilônia, no Oriente, para a Espanha muçulmana, no Ocidente. Foi durante esse período, também conhecido como Idade de Ouro da Espanha, que uma das maiores obras foi escrita – o Livro do Zohar e houve uma versão mais mística.
O Livro do Zohar é um enigma simbólico composto por camadas geológicas de símbolos e alegorias. Segundo os cabalistas de Espanha, que nos revelaram num momento de inspiração divina, o que lemos no Antigo Testamento é apenas um indicador, uma janela que conduz a um sinal profundo e altamente significativo.
Assim, Shavuot comemora um evento que aconteceu há mais de 3.400 anos. A entrega dos Dez Mandamentos e da Torá, ferramentas poderosas que nos permitem remover a negatividade e fomentar a abundância em nossas vidas.
Através do estudo da cabala, no entanto, aprendemos que nada no mundo físico pode ser a causa. O físico é um efeito que deve ser precedido pelo espiritual. O que aconteceu em Shavuot foi o resultado de uma atividade ocorrida no mundo espiritual.
O impacto da cabala na filosofia judaica foi sem precedentes. Sob a liderança dos cabalistas de Safed, Shavuot passou por outra transformação. O dia 6 de Sivan deixou de ser uma data de importância nacional para se tornar uma data de significado espiritual-religioso, concretizada no ritual de Tikkun Leil Shavuot.
Também, os místicos tinham a ideia de que à meia-noite os céus se abrem e recebem favoravelmente os pensamentos, estudos e orações daqueles que permanecem acordados no aniversário da Revelação.
O Mestre cabalístico de Safed, Isaac de Luria (Ari) nos diz que devemos ficar acordados a noite toda para nos desconectarmos do aspecto da morte que existe durante o sono. Pela manhã recebemos a Torá que é energia vital e qualquer aspecto da morte interrompe essa conexão. Se conseguirmos ficar acordados então, como o Ari nos promete, ‘completaremos o ano e estaremos livres de qualquer dano’.
Energeticamente falando, a revelação dos Dez Mandamentos foi, de fato, uma iluminação de dez níveis de Luz, saúde, amor, continuidade e segurança. E como não há falta no reino espiritual, a energia não desaparece; o que aconteceu uma vez no Monte Sinai acontece novamente a cada ano no sexto dia de Sivan.
Na noite de Shavuot, a totalidade da Luz do Criador está disponível para cada um de nós. Para nos conectar, nos reunimos em uma comunidade espiritual para ficar acordados durante toda a noite, lendo um resumo da Torah e estudando o Zohar. Estes são os canais através dos quais nós mesmos podemos agora nos tornar a revelação.



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