Cena

Sylvester Stallone comenta recusa em ‘matar’ Rocky Balboa

28/10/2025 Gustavo Klein
Divulgação

Sylvester Stallone e o personagem Rocky Balboa têm uma relação que vai além do ator e do papel — Stallone deu vida a um símbolo de esperança. No primeiro filme da série, Rocky (1976), vemos um boxeador de aluguel em Filadélfia que recebe uma chance improvável contra o campeão. Esse filme fala essencialmente sobre acreditar em si mesmo, agarrar uma oportunidade e, acima de tudo, esperar um futuro melhor — esse é o espírito que tanto me comove.

Quando passo para o segundo, o terceiro e o quarto filmes — Rocky II, Rocky III e Rocky IV — reconheço que o espírito original vai se modificando. Em Rocky II já há o campeão, a vitória, o reconhecimento; em Rocky III o herói vira algo mais próximo de supercampeão e em Rocky IV temos um Rocky quase invencível, que enfrenta rival estrangeiro e corre na neve, sobe montanhas, treina como se fosse um super-herói. Mesmo assim, adoro o quarto filme. Quando o vejo passando na televisão, apegado à nostalgia, não perco. Há algo de empolgante, grandioso, que me atrai: apesar de ter mudado de tom, o filme ainda entretém.

Já o quinto, Rocky V, para mim é um horror. Não funciona: mal há ringue, quase não há boxe verdadeiro e ainda matam um personagem que não podia morrer. A proposta parece forçada, o herói desacreditado, o enredo desvia completamente do que me fez amar o primeiro. E, no caso de Stallone, há uma confissão interessante: ele revelou que num primeiro roteiro de Creed pretendiam matar o Rocky com a doença de Lou Gehrig (esclerose lateral amiotrófica), mas ele recusou-se porque “personagens como esse morrerem me incomodam. Preferia que ele pegasse um trem e fosse embora”. Esse cuidado dele mostra o quanto via o Rocky como símbolo e não apenas como veículo de ação.

Em suma: o primeiro Rocky é para mim puro, simples, inspirador. Os filmes dois, três e quatro têm méritos e divertem, embora já com uma ambição diferente — mas o quatro ainda me fisga. O quinto me desaponta profundamente. E o fato de Stallone ter lutado por manter o personagem vivo — simbólica e literalmente — dá ainda mais força ao meu vínculo com esse universo.