Cena

Marilyn Monroe: o centenário de uma estrela única de Hollywood

16/06/2026 André Azenha
Divulgação/Allan Grant

Em 1º de junho de 2026, foi completado o centenário de nascimento da maior estrela da história do cinema: Marilyn Monroe. Não houve antes, nem durante, nem depois dela outra atriz cuja simples presença em um filme fosse capaz de provocar tanto fascínio, arrastar multidões aos cinemas e gerar tamanho burburinho. Sua imagem ultrapassou as telas. Uma fotografia, uma ilustração ou até mesmo uma silhueta inspirada em Marilyn é reconhecida instantaneamente em praticamente qualquer lugar do planeta. Talvez apenas Elvis Presley e, décadas depois, Michael Jackson tenham alcançado nível semelhante de identificação popular.

Nascida Norma Jeane Mortenson, sobrenome depois trocado por Baker, em Los Angeles, em 1º de junho de 1926, teve uma infância marcada por orfanatos, lares adotivos, a ausência do pai e os problemas psiquiátricos da mãe. Aos 16 anos, casou-se para evitar retornar a uma instituição para menores.

Nos anos de Segunda Guerra Mundial, trabalhava em uma fábrica quando foi descoberta por um fotógrafo. Em 1949, precisando de dinheiro, posou nua para um calendário por apenas 50 dólares. Aquelas imagens seriam utilizadas na primeira edição da Playboy sem que ela fosse paga por isso.

Após pequenos papéis, chamou atenção em A Malvada (1950), um dos grandes clássicos da Era de Ouro, antes de se transformar no maior ícone de Hollywood com Os Homens Preferem as Loiras (1953), Como Agarrar um Milionário (1953), O Pecado Mora ao Lado (1955) e Quanto Mais Quente Melhor (1959), a maior comédia da história.

Marilyn queria mais do que fama. Incomodada com a imagem de loira ingênua criada pelos estúdios, estudou interpretação no Actors Studio para provar que era uma atriz talentosa e não apenas um símbolo sexual.

Teve casamentos conturbados com o ex-astro do beisebol Joe DiMaggio e, posteriormente, com o dramaturgo Arthur Miller.

Enfrentou depressão, ansiedade, insônia e dependência de medicamentos. Após as filmagens de Os Desajustados (1961), chegou a se sentir culpada pela mor te de Clark Gable, que sofreu um infarto e morreu poucos dias depois do encerramento da produção. A própria viúva do ator, porém, rejeitou essa versão e afirmou que Marilyn não teve qual quer responsabilidade pelo desgaste físico do artista.

Em maio de 1962, protagonizou outro momento eterno da cultura popular ao cantar Happy Birthday, Mr. President para o então presidente John Kennedy. Surgiram boatos de que estaria alcoolizada ou sob efeito de medicamentos, mas relatos de bastidores apontam que ela simplesmente entrou correndo no palco e iniciou a apresentação sem recuperar totalmente o fôlego.

Menos de três meses depois, Marilyn foi encontrada morta em casa, aos 36 anos. A causa oficial foi overdose de barbitúricos, embora teorias da conspiração envolvendo os irmãos Kennedy e até a máfia persistam aqui e ali.

Sua história inspirou livros, documentários e produções como a minissérie A Vida Secreta de Marilyn Monroe (2015), baseada na biografia de J. Randy Taraborrelli, a obra mais completa já escrita sobre a atriz.

Sete Dias com Marilyn (2011) recria os bastidores das filmagens de O Príncipe Encantado (1957), quando ela, interpretada por Michelle Williams, contracenou com Laurence Olivier e viveu um período de forte pressão profissional. Já o péssimo Blonde, apesar do esforço de Ana de Armas, só reforça os estereótipos sobre ela. Tanto Michelle Willians quanto Ana de Armas foram indicadas ao Oscar por estes trabalhos.

O fenômeno Marilyn Monroe nos anos 1950 pode ser comparado ao que Pelé conquistou alguns anos de pois no futebol. O Rei transformou o esporte mais popular do planeta, asso ciou para sempre a camisa 10 à figura do grande craque e fez clubes e seleções do mundo inteiro sonha rem em encontrar seu próprio Pelé. Marilyn redefiniu o conceito de estrela de cinema. Seu impacto foi tão grande que os estúdios passaram a procurar atrizes capazes de reproduzir tal magnetismo junto ao público. Jayne Mansfield, a mãe de Mariska Hargitay, foi considerada a nova Marilyn e, erudita e musicista, enfrentou dilemas semelhantes à colega mais famosa. A britânica Diana Dors e Dorothy Dandridge também foram comparadas. Da mesma forma que o futebol passou décadas à procura de um novo Pelé, Hollywood dedicou décadas à busca de uma nova Marilyn Monroe. Nenhuma dessas tentativas repetiu a dimensão do fenômeno original.

Por trás da mulher mais fotografada do século XX existia alguém muito mais inteligente, ambiciosa e talentosa do que o mito criado por Hollywood.