
O afastamento de Rômulo Mendonça e Ricardo Bulgarelli das finais da NBA pela Amazon Prime provocou uma discussão que vai muito além do esporte. Há quem fale em censura, excesso de rigor e até perseguição. Mas a questão é bem mais simples: toda escolha profissional tem consequências.
Os dois tinham o direito de fazer comentários sobre a colega Alana Ambrosio em um podcast. Da mesma forma, a empresa tinha o direito de entender que a atitude prejudicou o ambiente de trabalho e a própria imagem da marca. Não existe contradição nisso.
Nos últimos anos, criou–se a ideia de que liberdade de expressão significa liberdade para falar qualquer coisa sem pagar um preço. Nunca foi assim. Quem é realmente independente pode dizer o que pensa e arcar sozinho com os efeitos disso. Já quem trabalha para uma empresa representa interesses que vão além dos próprios.
É aí que muita gente se confunde. Não basta ser um profissional talentoso ou querido pelo público. Quando se veste a camisa de uma organização, é preciso lembrar que atitudes individuais podem gerar problemas coletivos. Um comentário que parece apenas uma brincadeira pode se transformar em desgaste para colegas e para a própria empresa.
Também chama a atenção a dificuldade de aceitar as consequências das próprias decisões. Se houve es paço para falar, é preciso haver maturidade para lidar com a reação. O direito de se expressar não elimina o direito de uma empresa estabelecer limites para quem a representa.
A punição foi ainda mais simbólica porque atingiu a dupla justamente no maior momento da temporada da NBA. Enquanto o New York Knicks conquistava um título histórico, os principais nomes da transmissão brasileira ficaram fora do evento por uma crise criada por eles mesmos. E não foi legal ver colegas de profissão “passando pano” e criticando a Amazon por reagir a uma provocação tão clara.
O episódio deixa uma lição importante. Talento não substitui bom senso, e popularidade não torna ninguém maior que as regras. Só pode agir com total independência quem, de fato, é independente e não deve satisfações a ninguém. Quem escolhe fazer parte de uma empresa precisa pensar antes de agir e, sobretudo, ter a capacidade de suportar as consequências das próprias escolhas.


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