
“Levanta sacode a poeira, dá a volta por cima”.
Trecho de Volta por cima, de Paulo Vanzolini.
Sei que já teve dias difíceis.
Calma! Não farei uma apologia ao desabafo ou à autopiedade. Você entenderá meu propósito.
Quero levá-lo a uma reflexão sobre superação.
Pensar, junto com você, como nos tornamos maiores do que os problemas. Dificuldades são fatos da vida pessoal e das carreiras.
Na prática, situações difíceis intercalam-se com suas soluções, ou, quando não é possível resolver, adaptações, até que a oportunidade da solução definitiva apareça. Como diz Mario Cortella: “Faça o teu melhor na condição que você tem, enquanto você não tem condições melhores para fazer melhor ainda”.
Acrescento dois pontos ao filósofo. Não espere para começar a fazer. Compartilhe as dificuldades com quem se importa, de verdade, com você, com seu bem-estar e com seu sucesso.
E, …não faça das redes sociais um muro de lamentações.
Voltarei à questão das carreiras ilustrando, com os casos de dois jovens profissionais a quem mentoro.
Um, brilhante, preparado intelectual e psicologicamente, mas enfrentando período intenso de trabalho que o levou a um burnout. Procura, todos os dias, motivos para sair da cama. E sai.
Encontra forças dentro de si, busca ajuda no seu entorno. Me impressiona a sua capacidade de seguir trabalhando e vivendo, como se estivesse bem. Fora do pequeno círculo de pessoas de suas relações quase não se percebe o que vem passando.
O outro, inteligente, boas ideias, já ocupando posição de liderança, prefere centrar-se em si mesmo. Autossuficiente, ignora a clara necessidade de ser ajudado. Segue repetindo comportamentos ruins que desagregam a equipe ao seu redor, a qual, por sua vez, performa muito abaixo do que poderia. Precisará percorrer um longo caminho até o equilíbrio para, então, começar o efetivo processo de melhora.
O que une esses casos? A necessidade que cada um tem de superar-se. Um deles precisa resolver sua incapacidade de dizer “não” a continuar colocando mais carga em seus próprios ombros, enquanto o outro deve resolver a incapacidade de enxergar as consequências de seus atos.
Aos dois, falta autoconhecimento.
Quando a pessoa tem consciência de suas limitações e disposição para trabalhar sobre elas, metade da questão está resolvida. Sem essa percepção, o remédio terá que ser mais forte.
No segundo caso, uso uma abordagem simples e clara. Apresento fatos que demonstrem o efeito das decisões ruins. Ao mesmo tempo, proponho uma simulação que inclui imaginar o que aconteceria se ele tivesse agido diferente. Peço a ele que crie sua própria situação alternativa e imagine-se vivendo uma circunstância diferente e boa. Proponho também que avalie como e de que forma outras pessoas foram afetadas, na esperança de que essa consciência acelere o processo de reorganização mental que leva à melhora.
Você deve estar pensando: “Tem gente que nunca vai conseguir enxergar seus próprios erros”. É verdade e é uma pena. As grandes mudanças que vi, em pessoas próximas ou profissionais os quais ajudei nessa transição, deram-se depois de fatos de grande magnitude, como a perda do emprego, de um ente querido ou da própria saúde. Não deixe a situação chegar a este ponto. Não é inteligente, nem necessário.
Você deve ter percebido a quantidade de vezes em que usei a palavra “consequência” neste texto. Quero deixá-la evidente. Cada passo, certo ou errado, carrega uma delas. Podemos senti-las de imediato ou após muito tempo, mas – boas ou ruins – elas virão.
É o que eu quero que considere: o poder das consequências. E…boa semana.



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