Longevidade

Suely e Siuza: duas irmãs que fizeram da maturidade um desfile

05/07/2025 Ricardo Mucci
Arquivo Pessoal

Elas mostram que moda é atitude e maturidade é poder — uma combinação que nunca sai de cena

A elevação da expectativa de vida traz consigo uma série de mudanças de hábitos e comportamentos, principalmente entre as mulheres maduras. É visível como elas encaram esse processo com otimismo e proatividade, investindo no bem-estar, nas atividades físicas, na aparência, nos desafios profissionais, em especial no figurino, pois estar na moda é mandatório. Basta circular pelas praias, pelos shoppings e pelos eventos de Santos para testemunhar o quanto elas estão à frente em relação aos homens da mesma faixa etária, no que se refere à valorização pessoal.

As redes sociais expandiram o protagonismo feminino, que hoje rompe fronteiras geográficas e produz personagens como Suely Tonarque, que se converteu em modelo, relações públicas e garota propaganda da irmã, Siuza Maria Tonarque, mais conhecida por Duda. Uma vende as roupas que a outra confecciona com marca própria, batizada de Duda by Duda, que tem o Instagram como vitrine mais popular, com mais de 50 mil seguidoras.

A moda entrou na vida de Suely depois de colecionar vários diplomas – pedagogia, psicologia, gerontologia – provavelmente motivada pela mãe, que costurava os vestidos das filhas. Depois de um tempo, ela abraçou a causa profissionalmente e definitivamente. Tornou-se vendedora de uma das marcas mais famosas do país: a Maria Bonita. Tino comercial que Suely explora até hoje. Duda, a caçula extremamente introvertida, porém não ficou só nas roupas. Ela enveredou para criação de joias, luminárias e até mesmo na gastronomia, mas a moda é sua grande paixão.

A relação entre elas nunca foi um mar de rosas, Duda reconhece: “com o tempo acertamos os ponteiros e o negócio decolou, mas não foi fácil”. E Suely completa: “Nosso desafio não era fazer e vender a roupa. O verdadeiro desafio era – e é – conviver superando as diferenças, que são da natureza humana. O mais difícil é duelar com tudo isso, todos os dias. Mas a gente deu certo, apesar das dificuldades e chegamos até aqui, bem avaliadas, populares e felizes”.

Duda é empreendedora, mas vive reclusa num sítio no interior de Minas Gerais, criando e costurando em meio à natureza. Vez por outra visita o ateliê em São Paulo, que é comandado pela irmã, onde estão expostas todas as roupas da coleção e também as joias. Lugar preferido de uma seleta freguesia.

Suely é uma mulher elegante aos 75 anos e faz questão de estar na moda em qualquer ocasião, numa reunião de trabalho, no cafezinho ou a caminho da ginástica. Roupas da Duda, é claro. Quem a vê opinando sobre diversos temas nas redes sociais não deixa de reparar em sua elegância sempre evidente. E ela tem outra qualidade: não economiza aprendizado e nem conhecimento. Já escreveu livros sobre moda para mulher madura e até sobre golpes contra pessoa idosa.

Para ela moda é liberdade de escolha, sem se importar com o que os outros vão pensar. A roupa traduz muito do que as pessoas são e pensam. Moda é atitude. Ela lembra a passagem de um livro homônimo de Virgínia Wolff, onde o personagem Orlando, que nasce homem e se torna mulher, profere a seguinte frase: “Não somos nós que escolhemos os vestidos. São os vestidos que nos escolhem pelo formato dos braços, do bumbum, pelo volume dos seios e até pelo formato do coração”.

Suely afirma enfática: “Eu amo essa fala. Eu sempre a uso em minhas conversas, para exemplificar o poder da roupa. Eu acredito que as roupas escolhem o nosso jeito de nos apresentar para o mundo. E nossa existência externa tem que estar harmonizada com nosso eu interior. Então, quanto mais conectada com você mesma, mais a sua identidade vai dialogar com a roupa que você está vestindo”.

Como ela é psicóloga e gerontóloga, além de vendedora de roupas, deve saber o que está falando. As mulheres maduras de Santos concordam?