
Prestes a completar 128 anos de história, a Società Italiana di Santos se prepara para um dos pontos altos do seu calendário cultural: a 2ª edição da Festa Italiana, marcada para os dias 16 e 17 de agosto, das 12h às 20h, no Parque Valongo, em parceria com a Prefeitura de Santos.
Mais do que um evento gastronômico, a festa promete ser um encontro de gerações — um convite para quem carrega no coração um pedaço da Itália, seja por herança familiar ou por afinidade, revivendo a trajetória da imigração italiana na cidade por meio da música, da culinária e da convivência.
Tradição
Fundada em 23 de agosto de 1897, a Società nasceu como entidade de beneficência, oferecendo amparo aos imigrantes que chegavam ao Porto de Santos depois de longas travessias. “Eles desembarcavam exaustos, muitas vezes doentes, em um Brasil sem saneamento e com pouca estrutura. Muitos nem sobreviviam à viagem. A Società existia para acolher e apoiar essas famílias”, relembra Márcia Frezza, atual presidente da instituição.
Com o passar do tempo, a missão beneficente evoluiu para a preservação e difusão da cultura italiana. Hoje, a entidade funciona como associação sem fins lucrativos, administrada por voluntários e mantida por eventos, cursos e parcerias. “Toda a diretoria e presidência trabalham por amor. Ninguém aqui está por dinheiro”, enfatiza.
A sede, recém-reformada, ganhou salas de aula modernas, biblioteca com acervo em italiano e espaços de convivência. “Aqui é a nossa casa italiana. Basta ter amor pela Itália para participar. Temos sócios que nem descendentes são, mas que se encantaram pela cultura, pela gastronomia e pela música”, completa.
Conexões
A atuação da Società ultrapassa as fronteiras da cidade. Um dos destaques é o gemellaggio — termo italiano para “cidades-irmãs” — entre Santos e Gênova, oficializado com a presença de autoridades das duas cidades. “Quando você une duas cidades como irmãs, abre portas para parcerias comerciais, culturais e educacionais. Somos a ponte entre elas”, afirma a presidente.
O projeto já resultou em intercâmbios e na criação do Boulevard Cidade de Gênova, no Centro Histórico de Santos, com um mural criado por artistas brasileiros sob curadoria da italiana Giulia Lupo. A expectativa é que Gênova retribua com a criação de um Boulevard Santos em sua zona portuária.
O maior desafio, segundo Márcia, é aproximar as novas gerações da cultura italiana. “A língua é parte da cultura. Queremos que as pessoas conheçam suas raízes para construir o futuro”.
Com agenda intensa de palestras, lançamentos de livros, recitais e viagens culturais, a Società mantém as portas abertas para todos. “Mesmo quem não é italiano pode estudar, participar dos eventos e celebrar conosco. Basta ter amor pela Itália. E quando um brasileiro vai à Itália, é recebido com um sorriso. Esse amor é recíproco, e a Società existe para manter essa ponte viva”.
O desejo de Márcia é claro. “Espero que a instituição viva mais 100 anos. Para mim, é a minha casa italiana. É conhecendo as nossas raízes que podemos construir o futuro”.


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