
A polêmica sobre a possibilidade de um 007 mulher voltou aos holofotes após Halle Berry — que viveu a agente Jinx em 007 – Um Novo Dia Para Morrer — mencionar, na abertura do Festival de Cannes deste ano, que adoraria ver uma mulher assumindo o icônico número de licença para matar. Berry sabe do que fala: sua personagem chegou a ser cotada para ganhar um filme solo, na esteira do sucesso da franquia. Mas o debate segue acalorado: pode haver uma mulher como 007?
Sim, pode — e deve. O mundo mudou, o cinema também, e personagens femininas fortes, letais e carismáticas são mais do que bem-vindas. Mas uma coisa é certa: James Bond não pode ser mulher. O personagem criado por Ian Fleming é masculino em sua essência. Não se trata de exclusão de gênero, e sim de fidelidade a uma construção narrativa. Mudar o gênero de Bond seria como transformar a Mulher Maravilha em homem: perde-se a identidade que dá sentido ao personagem.
Bond pode ser negro, asiático, branco, ruivo — a cor da pele não altera seu núcleo. Pode ser de qualquer um dos países britânicos – mas precisa ser britânico, o sotaque é parte do charme do personagem. Mas tirar dele o gênero é redefinir o personagem por completo. O que o cinema pode — e deveria — fazer é criar uma nova protagonista, com um nome próprio, uma trajetória própria e o mesmo direito à licença para matar. Imaginar um universo de espionagem onde uma mulher lidera a ação, com estilo, coragem e ironia, não só é possível, como necessário.
Agora, com a franquia nas mãos da Amazon, isso não apenas é muito possível como bastante provável. A gigante do entretenimento tem como uma de suas marcas o investimento em diversidade e renovação de narrativas clássicas, como já demonstrou em outras produções de grande porte. A Amazon sabe que o público contemporâneo busca representações mais plurais e protagonistas que reflitam a complexidade do mundo atual.
Criar uma nova personagem feminina dentro do universo 007, com seu próprio nome, história e motivações, seria uma jogada certeira para atrair novas gerações sem alienar os fãs tradicionais. Além disso, o formato serializado que a Amazon domina tão bem abre espaço para explorar mais a fundo o universo da espionagem, permitindo o surgimento de novas figuras carismáticas ao lado — ou em paralelo — a James Bond.


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