
Consolidado como um espaço de escuta, convivência e liberdade de expressão, o Sarau TAMTAM – Outras Palavras retorna com programação ampliada, reunindo oficinas, performances, microfone aberto, poesia falada e convidados de diferentes gerações e linguagens da cena cultural brasileira. As atividades acontecem neste sábado (16) e domingo (17), a partir das 15h, no Teatro Rosinha Mastrângelo.
Idealizador do Instituto TAMTAM, Renato Di Renzo afirma que a continuidade do projeto surgiu da percepção de que o sarau ainda ocupa um papel potente na sociedade, especialmente como espaço de acolhimento e manifestação coletiva. “Existe uma visão meio antiga do sarau, como algo distante. Mas, quando você observa os saraus contemporâneos, percebe que eles são encontros para falar, gritar, poetizar. As pessoas escrevem suas indignações, seus amores, suas dores. O papel aceita tudo isso”.
A programação deste ano também busca recuperar memórias da cena literária santista. Entre os convidados está a poeta e letrista Alice Ruiz, referência da literatura contemporânea brasileira, que virá de Curitiba especialmente para participar do evento. “Ela tem mais de 80 anos e continua extremamente ativa. Aceitou vir para Santos, fazer a palestra e voltar no dia seguinte. Isso mostra a força do encontro”, destaca Renato.
O sarau também reúne nomes ligados ao slam, à oralidade e às culturas populares urbanas, como Pedro Darhima e Vanessa Ratton, além de oficinas de contação de histórias, improvisação poética e atividades relacionadas às culturas indígenas.
No sábado (16), as atividades começam às 15h com a oficina Onde Moram as Histórias, seguida por contação de histórias com Camila Genaro, nova sessão de microfone aberto e, no encerramento da noite, palestra com Alice Ruiz.
Já no domingo (17), a programação começa às 15h com oficina de contação de histórias ministrada por Sol Martines. Em seguida, acontece a oficina-palestra Ecopoética Py’a Mongeta, com Vanessa Ratton. O encerramento será às 19h30, com a oficina No Verso da Rima, conduzida por Pedro Darhima.
Para Renato, o principal diferencial do Sarau TAMTAM está na forma como o evento amplia o próprio conceito de inclusão. O instituto atua historicamente com pessoas com deficiência, sofrimento psíquico e trajetórias marcadas pela exclusão social, e o sarau se tornou mais uma ferramenta de garantia de voz e presença. “Quando falamos de inclusão, não é só acessibilidade física. É aceitar a fala do outro, o gesto do outro, a forma do outro existir. Inclusão é dar voz”.
Ele lembra que muitos participantes das oficinas do TAMTAM não tiveram acesso pleno à alfabetização formal. “A ideia é que essas pessoas não sejam coadjuvantes da própria vida. A palavra é poder social. Quanto mais você solta a voz, mais você existe socialmente”, afirma.
Com entrada gratuita, o sarau mantém espaços abertos para participação do público. A proposta é que escritores, poetas, artistas e frequentadores possam ocupar livremente o microfone para apresentar textos, músicas e depoimentos.


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