
A tão sonhada aposentadoria não deve ser um tempo para não fazer nada e abrir as portas para a solidão, para a melancolia e até a depressão. E as delícias de não fazer nada também cansam e podem dar espaço para pensamentos pessimistas e ansiedade.
No envelhecer acumulamos experiência e sabedorias que devem ser transmitidas para os mais jovens. Segundo o psicanalista Erik Erikson, a tarefa principal na maturidade é a generatividade, ou seja, capacidade de gerar valores, transmitindo conhecimentos e conceitos para as novas gerações, devolvendo o que recebeu à sociedade como um legado significativo. Pode ser um bom momento para ser um consultor, conselheiro ou fazer trabalhos voluntários que façam a diferença. Há muitas oportunidades de trabalhos voluntários para os mais velhos se tornarem úteis, criativos e explorar novas habilidades, basta querer.
Muitas pessoas dão desculpas da falta de tempo ou de dificuldade para encontrar locais em que possam ser úteis, mas com um pouco de boa vontade é possível fazer busca em sites de suas cidades, há muitas plataformas on-line nesse setor. O melhor é a possibilidade de escolher qual o tipo de atividade se encaixa mais com seu perfil ou com seu potencial: trabalhos com crianças, jovens, adultos, velhos, pessoas em situação de vulnerabilidade, com animais, em hospitais, clínicas e até atuando em projetos ambientais. O importante é não ficar sentado no sofá vendo TV sem se preocupar com o mundo lá fora e com tantas opções à sua espera.
As prefeituras geralmente têm programa de voluntariado, formando redes de cuidados e de solidariedade. Converse com quem já participa desse tipo de programa, compartilhe seu desejo. Quando você se dispõe a ajudar as oportunidades aparecem. E certamente você se sentirá muito melhor e a vida ganhará novos significados.
Lucy: um exemplo de vida, arte e superação
Com Lucy não tem tempo feio. O sorriso constante e o bom humor fazem dessa senhora de 84 anos uma figura iluminada e muito querida por todos ao seu redor. Poderia estar em casa reclamando das dores no joelho ou das dificuldades na visão e audição que o tempo trouxe. Mas ela prefere a vida em movimento: faz natação no clube, sai com as amigas, frequenta concertos e ainda dedica boa parte do tempo a um voluntariado especial.
Há 30 anos, Lucy criou e segue à frente da Oficina de Artes Adelaide Araújo, da Associação Brasil Parkinson. Seu interesse pelas artes visuais surgiu pouco antes da aposentadoria do banco onde trabalhava. A pintura virou sua ferramenta para quebrar padrões e, sobretudo, se distrair.
O impulso maior veio quando a mãe começou a apresentar os primeiros sintomas do Parkinson. Lucy decidiu ensiná-la a pintar e se surpreendeu com os resultados. Ao mesmo tempo, travava outra luta: a busca por um medicamento que não encontrava nas farmácias. Foi assim que conheceu a Associação Brasil Parkinson e, algum tempo depois, aceitou o convite para criar uma oficina de arte voltada aos pacientes.
O começo foi modesto: apenas cinco alunos, entre eles a própria mãe. Aos poucos, o projeto foi crescendo. Vieram novos participantes, voluntários, parcerias e cursos de capacitação para que Lucy pudesse ensinar melhor. “Quando percebi que a coisa estava dando certo, levei um susto. De repente, estava tudo ficando muito sério, e eu sozinha, sem me sentir preparada. Fui estudar, me inscrevi em cursos e fui aprendendo”, conta.
Em 1995, com a morte da mãe, a oficina ganhou o nome dela como forma de homenagem ao trabalho iniciado por Lucy e que, até hoje, transforma vidas. “Acho que Deus me abençoou e ajudou nessa tarefa. Nossa oficina virou um cartão de visita da Associação. Recebemos apoio de laboratórios e a arte tem trazido muitos benefícios aos pacientes. Além de estimular os movimentos, ela favorece o convívio social, dá segurança e ajuda na autoestima. Poder sair de casa, encontrar pessoas e ter atividade é um presente para eles. Mesmo com os tremores, vão pintando e criando. São a prova de que a arte não tem limites”, diz.
Dica de filme
Patch Adams – O amor é contagioso (1998)
Robin Williams é Hunter Adams, que após tentar se suicidar se interna em um sanatório e descobre a importância de ajudar e dar esperança aos pacientes. Depois de se formar em Medicina, usa métodos pouco convencionais que dão resultado, conquistando simpatia e apoio de um lado e resistência de outro. No Brasil, as ONGs Doutores da Alegria e Doutores do Riso são exemplos desse trabalho. (Assista na Apple TV e Prime Video).



Coluna maravilhosa, sempre com entrevistas de alto astral! Lucy é mesmo um grande exemplo para todas nos?! Parabéns!
Maravilha!
Lucy, uma pessoa que brilha e faz diferença!
Agradeço a Deus, meus familiares, amigos e grupo do IDEAC, sempre recebi apoio. Associação Brasil Parkinson e as voluntárias da Oficina de Artes Adelaide Araujo, participam e ajudam no sucesso do trabalho voluntário. Obrigada!
O que Lucy faz, o que o artigo lindo ressalta é o prazer da vida. Parabéns Lucy!
Parabéns, Lucy! Você é uma inspiração para nós!
Que grande exemplo pra todos nós o da dona Lucy! Muita saúde e muitas arte em sua vida sempre, para que possa seguir iluminando outras pessoas!
Parabéns Lucy! Admiro muito sua postura positiva diante da vida. Um abração.