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Reter talentos: exercício obrigatório para empresas e lideranças

04/08/2025 Hudson Carvalho
Reter talentos: exercício obrigatório  para empresas e lideranças | Jornal da Orla

Quem de nós não está preocupado com redução de custos?

Controlar esse item é mais desafiador do que aumentar a receita, para que o resultado melhore em qualidade. Elevar o nível de faturamento não está totalmente sob nosso controle. Há uma forte interferência do ambiente externo. Ao contrário, controlar desperdícios e custos, sempre está.

Não reconhecer a necessidade de controlar o fluxo de caixa é um desastre anunciado. “Cash is King”.
É relativamente fácil, entretanto, identificar esse problema e sua tendência em ocorrer pela simples leitura dos demonstrativos financeiro ou contábil. Daí para a solução, é uma questão de disciplina, vontade e método.
Outros custos não são visíveis de imediato. Atuam como pequenas rachaduras na estrutura da gestão, com profundo impacto nos resultados. Desastrosos, pouco visíveis, detectados tarde demais, são de difícil reversão.
A incapacidade de reter talentos é um deles.

Vamos começar pelo custo da reposição de um profissional, seja qual for a razão; por iniciativa do próprio empregado, quando pede demissão, ou quando a empresa não vê outra forma de administrar a relação de trabalho a não ser a dispensá-lo.

Estamos falando de contratar, manter, pagar salários, encargos sociais e benefícios, treinar e desenvolver. Some a isso o custo de rescindir o contrato e, finalmente, os custos de contratar a reposição do profissional.
Vamos enxergar além dos custos? Perder um profissional evidencia a incapacidade de prever e prevenir conflitos no ambiente de trabalho e de gerenciar as consequências. Por que não fomos capazes de eliminar um ambiente tóxico (ou de explicar ao colaborador que ele está vendo “toxicidade” onde não existe), ou de antever que nossa estrutura de remuneração e benefícios não é competitiva frente à concorrência ou ao mercado local? O que nos impediu de lidar com um gestor inábil, desmotivador de sua equipe? De demonstrar ao empregado que, sim, existe possibilidade de crescimento profissional?

Ainda que essas possibilidades tenham ocorrido apenas sob a percepção do empregado, teremos sido responsáveis por não identificar e explicar adequadamente a ele o seu equívoco.

Em seguida, há o efeito negativo da “baixa” sobre o restante da equipe e, muitas vezes, sobre o cliente externo. Será preciso administrar o fluxo de comunicação formal, institucional, explicando a saída e controlar a “rádio peão”, fluxo interno e informal de comunicação – que existe em qualquer empresa.

A perda seguinte é a do histórico dos processos e projetos em andamento. Por mais que a organização mantenha seus processos documentados e controlados, quem sai leva parte da execução do dia a dia.

Essa perda, por mais rápida e bem conduzida que seja, causa instabilidade nos processos. Quem entra precisa identificar os processos, seus indicadores e suas metas. O profissional recém contratado levará um certo tempo para adaptar-se ao ambiente da nova empresa, sua cultura e seus novos colegas de trabalho.

Uma dica para empresas e empregados: recontrate-se todos os dias.

O que é isso? Recontratar-se é – por parte do profissional – uma reflexão diária para identificar se ele ainda atua atendendo às sempre renovadas mudanças no perfil de sua posição. Para a empresa, trata-se de revisar o perfil de seus cargos e informar, treinar e desenvolver os envolvidos.

Não são reflexões fáceis, mas, no meu dia a dia como consultor, vejo, com tristeza, a quantidade de vezes em que isso ocorre e os prejuízos que causa. Acredite: é péssimo para os dois lados.