
O genial cantor e compositor baiano, João Gilberto (1931 – 2019), teve o registro da sua apresentação realizada na cidade de São Paulo, em 5 de abril de 1998, como a escolhida para inaugurar a série Relicário, projeto que resgata áudios de shows históricos realizados nas unidades do SESC nas décadas de 1970, 1980 e 1990.
Esse material raríssimo foi recuperado 25 anos depois da performance de João Gilberto no Teatro SESC Vila Mariana.
Lançado no formato CD duplo e também em 3 LPs, com 36 músicas e mais de 2 horas de música. Todos com um lindo encarte e uma bela apresentação.
Como costumava fazer nos seus shows, o artista mesclou no set list sambas antigos e clássicos da Bossa Nova.
O material foi registrado na época em fitas DAT e a remasterização contou com a supervisão artística de Bebel Gilberto, filha do artista.
A cereja do bolo tem como destaque a música inédita “Rei sem coroa”, composição de Herivelto Martins e Waldemar Ressurreição. Curiosamente, mesmo fazendo parte do repertório de João Gilberto, ela nunca tinha sido levada a estúdio ou gravada oficialmente pelo artista, reforçando a importância do resgate histórico promovido pelo SESC São Paulo.
Outra curiosidade é que esse material foi lançado originalmente em 2023 e ganhou uma reimpressão recente já em 2024.
Essa última tiragem respondeu rapidamente a uma demanda crescente pelo produto, na contramão da tendência de queda da procura por CDs físicos, acentuada pelo hábito de ouvir música em formato digital.
É muito importante destacar o interesse do público por este disco físico. É o reconhecimento da raridade do seu conteúdo e a certeza de que as pessoas querem guardar esse disco como uma relíquia.
A capa do disco traz um grafite feito pelo artista visual Speto, importante nome da arte urbana, em homenagem a João Gilberto. Ele inclusive conseguiu pintar uma lateral de um edifício na Avenida Senador Queirós, no bairro Santa Ifigênia, próximo ao Mercado Municipal, em São Paulo, quando do falecimento de João Gilberto.
O artista explicou que fez a imagem usando o mínimo de traços possíveis, em alusão ao minimalismo da Bossa Nova e de João Gilberto. O artista está sentado, flutuando, no Rio de Janeiro, cidade onde viveu. E está abafando o violão, como faz quem acaba de tocar uma música, em alusão ao fim de um ato, à vida chegando ao final.
Na época da gravação, João Gilberto tinha 66 anos, vivia isolado em seu apartamento no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro. Não atendia o telefone nem abria a porta e pouco saia de casa.
Tudo correu magicamente naquela pequena temporada em São Paulo, mostrando um João Gilberto compenetrado e bem humorado.
O resultado dessa magia podemos desfrutar e compartilhar. E temos a certeza de que João Gilberto reinventou a música brasileira. Reverência!



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