Longevidade

Reinvenção e coragem marcaram Luiz Simões

10/08/2025 Alceu Nader
Reinvenção e coragem marcaram Luiz Simões | Jornal da Orla

Em 2021, aos 52 anos, ele resolveu inovar e apostar em negócio próprio

Durante o ano de 2021, aos 52 anos, o santista Luiz Fernando Simões viveu duas situações em que seu futuro esteve sob risco de ser interrompido. Na primeira, abatido pela Covid, passou 32 dias internado entre a vida e a morte e mais de três meses afastado; na segunda, por decisão própria, decidiu trocar a carreira executiva numa sociedade de sucesso e deixar-se contaminar pela febre das startups, nome dado às empresas emergentes com ideias inovadoras em busca de capital de risco. Se desistisse, como chegou a pensar mais de uma vez, teria de abandonar a ideia de se reinventar e recomeçar.

Formado em Ciências da Computação, com conhecimento sobre as operações portuárias, Simões apostou na ideia de criar a HXtos Inteligência Logística para o disputado mercado de logística. Sua inovação seria um software para coordenar todo o processo operacional de exportação de produtos a granel e carga solta– aqueles depositados no porão nos navios e não despachados em containers. Três dos principais produtos de exportação do Brasil, como grãos, minérios e celulose, o foco central da HXtos, desatracam do porto carregando milhões de toneladas de mercadoria a granel.

Deu certo. A startup daquele cinquentenário entre jovens que poderiam ser seus filhos vingou. Hoje, a HXtos controla 100% dos embarques das três maiores exportadoras de celulose do Brasil. Graças à sua startup, Simões conheceu grandes terminais de cargas a granel. “Não foi fácil”, diz ele, “mas eu vivo querendo fazer coisas novas e vencer desafios. Aprendi que inovar independe da idade, não é preciso ser jovem. Muitos 50+ não só são capazes, como também fazem falta em startups e em empresas tradicionais porque tem ao seu favor a experiência de vida e de trabalho. Isso ajuda muito na hora de criar, executar e vender uma ideia ou um produto”.

50+ e 60+ são disputados para treinar a IA

Em setores tradicionalmente povoados por jovens, como as empresas de tecnologia digital, também há mudança na paisagem. Trabalhadoras e trabalhadores acima dos 50 e 60 anos, inquietos com sua autonomia financeira e dispostos ao aprendizado contínuo, estão sendo muito bem-vindos em empresas globais que estão implantando a Inteligência Artificial (IA) em procedimentos internos de grandes empresas globais.

O conhecimento e experiência acumulados, também aqui, fazem a diferença. A primeira vantagem dos cabeças prateadas é ter melhor vocabulário do que as gerações mais jovens. Graças a isso, sabem como devem ser as perguntas para se obter as melhores respostas da IA.

Além disso, sabem diferenciar com maior precisão o que é essencial para alimentar os bancos de dados da IA. Basta ter disposição para aprender. A IA sempre vai depender da aprovação da inteligência humana.

Empregadoras não impõem limite de idade

Entre o final de 2012 e 2024, o número de brasileiros acima de 60 anos cresceu 55%, ultrapassando 35 milhões de pessoas. O número de idosos ocupados cresceu ainda mais – 69% — chegando a 8,6 milhões de trabalhadores. Mais da metade, 53%, entretanto, são trabalhadores informais, principalmente nas regiões norte e nordeste. Motivo: baixa escolaridade.

Santos, que tem a maior parcela de pessoas idosas entre as grandes cidades brasileiras acima de 300 mil habitantes, a longevidade ativa integra há décadas políticas públicas da Prefeitura. A economia da cidade, movida pelos serviços gerados pelo porto, pelo turismo e pelo comércio, principalmente, a barreira para o trabalho é o conhecimento do ofício.

A faixa etária não é condicionante nos ‘Mutirões de Emprego’ promovidos pela Secretaria de Assuntos Portuários e Emprego da Prefeitura. O mesmo acontece em um dos maiores empregadores individuais da cidade, a Santa Casa, com 4.205 colaboradores das áreas administrativas, assistenciais e de apoio, dos quais 736 têm idade entre 50 e 87 anos.

“Não aplicamos critério etário nas contratações, mas critérios técnicos e comportamentais adequados à cultura da empresa”, diz a coordenadora de RH, Andreia Soares, prevendo, para este mês de agosto, a contratação de um candidato com 57 anos de idade.