
Em um momento tão sério, em que tudo é politizado e partidário, e em que tantos de nós nos tornamos hipócritas em relação às nossas políticas e ideologias, talvez tenhamos uma responsabilidade ainda maior de rir.
Crimes de ódio violentos contra minorias religiosas e étnicas, incluindo especialmente judeus, estão se tornando mais disseminados. E a esperança por seu fim inevitável diminui e assim e as guerras culturais comprovam nossa propensão ao ódio em vez da tenacidade.
O antídoto pode parecer ilusório, mas, enquanto isso, há algo que podemos fazer: rir.
Pode-se dizer que fazer os outros rirem é uma mitzvá; pode-se também dizer que rir de nós mesmos é uma mitzvá ainda maior.
Em meio a uma conversa sobre se devemos ou não abordar o estudo da Torá com alegria, o Talmud relata a prática do sábio Rabá, que, antes de começar a ensinar assuntos da lei judaica, “dizia algo engraçado para que os Sábios se alegrassem” antes de iniciar a tarefa assustadora e extraordinária que tinham pela frente. Incrivelmente, Rabá determinava que a melhor maneira de preparar seus alunos para o complexo estudo da Torá é contar uma piada.
Ao convidá-los a rir juntos, seus nervos se acalmavam e seus corações e mentes se abriam para possibilidades. Eles embarcavam em sua jornada tendo sentido o poder de compartilhar um momento de alegria. Assim, o riso se torna parte do ato sagrado, um pré-requisito para o engajamento coletivo com o que é profundo e significativo.
Em Gênesis, Sara ri quando Deus lhe revela que ela, uma mulher idosa, não apenas desfrutará novamente do prazer sexual com seu marido Abraão, mas também dará à luz um filho. “Você é hilário, Deus”, diz seu riso. Muitas vezes nos perguntamos se este é o momento em que aprendemos que às vezes é aceitável rir até mesmo de Deus; talvez nem mesmo Deus precise ser levado tão a sério.
Comédia e riso também podem ser lições. Às vezes, rimos porque, lá no fundo, entendemos o absurdo da nossa situação, e rir disso significa que estamos sendo honestos conosco mesmos.
Os judeus adoram piadas porque elas expressam a ideia de que há mais na vida do que é aparente, que um padrão não é eternamente imutável, que nossas expectativas podem ser desfeitas — que… existe uma maneira completamente diferente de ver uma dada circunstância.
Já então, o Rabino Nachman de Breslov dizia: “É uma grande Mitzvá estar em um estado de alegria constante”.
Em um nível mais profundo, o riso nos ensina como Deus interage com o mundo.
O riso é parte integrante da saúde emocional. Você não precisa assistir TV para liberar a tensão. Basta ter o senso de humor para enxergar o incoerência na vida cotidiana e… pronto! Você estará sorrindo e poderá transformar essa energia positiva em movimento, crescimento e força para algo significativo que precisa fazer.
A cabalista Karen Berg diz: “O riso cura. Pois aquilo de que podemos rir, não pode mais nos ferir.”



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