Cena

Para ter os principais streamings hoje se gasta mais do que em uma TV por assinatura

28/08/2025 Gustavo Klein
Divulgação

Nos últimos anos, o streaming deixou de ser visto como a alternativa barata à TV por assinatura. A recente alta de preços em plataformas como Max, Netflix, Disney+ e outras escancarou um cenário em que, para acessar os principais catálogos, o brasileiro já desembolsa mais do que gastaria em um pacote de TV paga completo.

A Max, por exemplo, voltou ao nome original HBO Max e reajustou seus valores: o plano sem anúncios chega a R$ 39,90, enquanto a versão premium, com 4K e mais telas, custa R$ 55,90. A Netflix, que inaugurou a onda de planos com publicidade, cobra de R$ 20,90 até R$ 59,90.

Disney+ e Star+, agora fundidos, variam de R$ 43,90 a R$ 62,90. Some a isso o Prime Video (R$ 19,90), o Apple TV+ (R$ 21,90) e o Globoplay com canais (R$ 54,90). O resultado é uma fatura que facilmente ultrapassa R$ 170 ao mês, superando preços de pacotes robustos de TV paga, que incluem esportes, filmes e canais de notícias.

Especialistas apontam que os reajustes, em média de 40% nos últimos três anos, correm bem acima da inflação acumulada no período, de pouco mais de 20%. Além disso, a fragmentação do conteúdo empurra o consumidor para a multiplicação de assinaturas. O que antes estava concentrado em poucas plataformas, agora exige múltiplos pagamentos. Para piorar, planos com anúncios se tornaram comuns, reduzindo a sensação de custo-benefício.

A insatisfação é visível: muitos usuários relatam cancelamentos seletivos, contratando serviços apenas por temporadas específicas. Outros buscam combos via parceiros, como Mercado Livre, que oferece descontos. Há ainda quem retorne à pirataria, insatisfeito com a soma das mensalidades. O streaming, que nasceu com a promessa de liberdade e economia, hoje se aproxima de um modelo oneroso e fragmentado, onde escolher o que ver passa também por escolher o que pagar. E sem a garantia de permanência do acervo a longo prazo. Está caro.