Economia

Pão de cará tem variação de 40% em preços nas padarias da região

27/10/2025 Mariana Nerome
Fernando Yokota

O pão de cará faz parte do café da manhã de muitos moradores da Baixada Santista. Presente nas padarias da região, o quitute disputa espaço nas cestas com o tradicional pão francês, ou mais conhecido como ‘pão média’. Na última pesquisa realizada pelo Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-SP), o cará aparece com preço médio de R$ 2,43 a unidade em Santos e São Vicente, mas a variação entre os estabelecimentos chamou atenção dos fiscais, uma diferença de 40% entre as padarias.

A pesquisa envolveu 29 itens matinais distribuídos em estabelecimentos dos dois municípios. O pão francês apresentou variação de 26,93%, com valores entre R$ 18,90 e R$ 23,99 o quilo e média de R$ 21,78. O café expresso pequeno e o pão francês na chapa com manteiga tiveram oscilação de 33,33% cada um, com preços entre R$ 6,00 e R$ 8,00.

“A pesquisa teve por objetivo oferecer uma referência de preços ao consumidor, por meio de preços médios obtidos com a coleta em padarias de porte similar, em bairros diferentes de Santos e São Vicente”, afirmou o assessor de Ação Regional do Procon-SP, José Renato Raposo.

O levantamento incluiu pão francês, pão de cará, pão de queijo, café coado, café expresso pequeno, café com leite, pão na chapa com manteiga e misto quente. A coleta considerou apenas produtos comercializados em, no mínimo, três estabelecimentos visitados e com valores diferentes.

FATORES

Segundo Raposo, a variação pode envolver diversos fatores. “Desde a apresentação dos produtos, tipos de insumos utilizados e preparo, além de outros custos relacionados de cada estabelecimento, não havendo um padrão específico que explique tais variações”, explica o assessor.

Questionado sobre a existência de padrões que justifiquem as diferenças, como localização ou porte da padaria, ele reforçou que cada estabelecimento tem suas particularidades.

“Alguns produtos se mantiveram com preços médios estáveis na Baixada Santista, como o pão francês e o sonho. Já o café teve alta em relação ao preço médio do ano passado, de cerca de 20%, seguindo uma tendência verificada em todo o estado”, ressalta.

ORIENTAÇÃO

José Renato ainda orientou que o consumidor pesquise antes de comprar para encontrar o local que oferece a melhor condição. “No Brasil não há uma política de controle de preços, prevalecendo o princípio constitucional da liberdade econômica e livre iniciativa”, destacou.

O assessor alertou, no entanto, para pontos que merecem atenção do consumidor. “Os preços devem estar afixados claramente; em caso de divergência entre gôndola e caixa, vale o menor”, disse Raposo. Ele acrescentou que os estabelecimentos não podem impor valor mínimo para compras com cartão.

Sobre produtos fabricados e embalados pelas lojas, o assessor foi enfático. “Esses produtos (tortas, bolos, doces, etc) devem ter informações sobre data de validade, peso, ingredientes e se contém glúten ou alergênicos”, afirmou.

Raposo lembrou ainda da portaria 181/21 do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). “O pão francês deve ser vendido por peso, conforme a portaria”, ressaltou.

O consumidor que tiver problemas relacionados ao atendimento ou falta de informação pode registrar reclamação no Procon de sua cidade ou no site www.procon.sp.gov.br.

CIDADES

Sobre a possibilidade de expansão da pesquisa para outros municípios da Baixada Santista, Raposo informou que o foco permanece nos mesmos locais. “Em princípio, as cidades onde a pesquisa vem sendo feita devem ser as mesmas para permitir a comparação entre um ano e outro”, conclui José.