
Menos nascimentos e casamentos e mais divórcios marcam as estatísticas
Nascem cada vez menos brasileiros, morre-se com a idade cada vez mais avançada em todo o país. Para os moradores da Baixada Santista – e, particularmente, para os que vivem em Santos – o envelhecimento acelerado contido nas informações da pesquisa “Estatísticas do Registro Civil 2023”, do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é percebido, já há algum tempo, em muitas praias e avenidas da Baixada Santista. Há duas décadas, o principal município da região, Santos, é a maior cidade do país com predomínio de habitantes com mais de 50 anos na sua população.
Outros números confirmam a tendência nacional. Os casamentos estão cada vez mais curtos e raros, com queda de 3% nos dois últimos anos, fazendo retroceder a média de cerimônias para 940.799, sem ameaçar a marca de um milhão alcançada em 2020. Há uma exceção notável, com recorde no número de uniões, contrariando essa tendência: cresceram os casamentos homossexuais entre mulheres.
Os divórcios chegaram a 440.827 em 2023 — um aumento de 4,9%. em relação a 2022. O tempo médio entre casamento e divórcio caiu de 16 anos em 2010 para 13,8 anos em 2023.
A pesquisa foi apresentada no último dia 16, a partir da coleta de dados nos cartórios civis feita pelo IBGE. O envelhecimento da população está presente em quase todos os indicadores. A nova safra de números reanimou velhas demandas do mercado e dos eleitores, exigindo mais atenção à Saúde e cobrando medidas na Previdência, na Educação e na distribuição de renda.
Os óbitos caíram em 23 das 27 unidades da Federação. As maiores quedas foram observadas nas regiões Sul (-8,0%) e Nordeste (-5,3%). A Região Norte registrou a menor queda relativa (-2,3%). Por unidades da Federação, destacam-se quedas acima de 10% na Paraíba (-11,8%) e Rio Grande do Sul (-10,2%). A maior queda (-7,9%) se deu entre as cidadãs e cidadãos com mais de 80 anos.
Na faixa etária contrária, confirmando a tendência, registrou-se o menor número de nascimentos desde 1976, com queda nas emissões de certidão em todos os cartórios do país. A região centro-oeste (GO, MT, MS e DF), com aumento de 1,1%, é exceção. A média nacional por sexo revelou que nasceram 105 meninos para cada grupo de 100 meninas.
O levantamento ainda mostra que, entre 2003 e 2023, aumentou a porcentagem de mães no grupo etário de 30 a 34 anos (de 14,6% para 21%) e de 35 a 39 anos (7,2% para 13,7%), percentuais que indicam o envelhecimento no padrão reprodutivo das mulheres e mostra a perda dos efeitos do bônus demográfico, com redução da fatia da população em idade habilitada para trabalhar.
O cruzamento das linhas de óbitos e nascimentos vai se dar em 2040, quando a população total do Brasil, segundo as estimativas, será de 220 milhões de habitantes. Depois de alcançar a estabilidade zero neste ano, o número de brasileiros vai continuar caindo até o ano de 2070, quando a população recuará para 219 milhões, dando início a uma lenta recuperação.
CURIOSIDADE
Situações incomuns são registradas pelos dados cartoriais
A comparação dos registros civis tem de ser cuidadosa, porque nem sempre reflete a realidade. A vida da cidadã ou do cidadão não se restringe à elaboração e formalização de certidões, escrituras, testamentos e partilhas, entre outros documentos. Muitas vezes, a oficialização feita dos cartórios reflete uma situação incomum ou dá pistas para que se apure o que de fato aconteceu. Há vários casos na nossa região, todos gerados pela explosão da violência. São Vicente, por exemplo, em 2013, registrou mais óbitos (2.399) do que nascimentos (2.112). Em Mongaguá, o mesmo fenômeno: 410 nascimentos contra 557 mortes. Na Praia Grande, 2.662 mortes e 2.614 nascimentos, e, no Guarujá, 2.877 nascimentos e 2.187 mortos. No caso de São Vicente, dois fatos policiais – os cinco assassinatos cometidos pelo eletricista Alex Sander Pereira e os 56 suspeitos mortos pela Polícia Militar na Operação Verão – podem explicar a anomalia.


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