Colunas

O mergulho

24/05/2025 Jadir Albino
Freepik

A atleta americana de nado sincronizado, Anita Alvarez, desmaiou e afundou na piscina, durante o mundial de Budapeste no ano de 2022.

A treinadora da equipe e medalhista olímpica, Andreia Fuentes, percebeu que Anita estava há muito tempo debaixo d’água. Sem pensar duas vezes, simplesmente se atirou na piscina, completamente vestida.

Andreia foi até o fundo e puxou sua atleta para a superfície.

Anita estava inconsciente, sem forças para se mover ou esboçar qualquer reação.

Graças à rápida ação da treinadora, pôde receber os primeiros socorros e conseguiu sobreviver.

As câmeras captaram a eficiente ação de Andreia Fuentes, agindo na hora certa.

Se ela não tivesse notado rapidamente, se não tivesse sido ágil, Anita certamente teria se afogado.

[com base em texto da Red. do Momento Espírita]

Isso nos faz pensar sobre os dias atuais.

Se ficarmos tempo demais submersos na piscina dos nossos problemas, quem são as pessoas que irão perceber?

Quem estará ali, olhando atentamente, e notará que não temos mais forças e mergulhará sem hesitar?

Quem nos puxará de volta em momentos como esse?

E será que alguém pode contar conosco para fazer o mesmo?

Será que somos, muitas vezes, essa treinadora atenta que pula na água sem titubear?

Será que há pessoas que contam com isso: com nossa ação ágil, eficiente?

Num mundo tão individualista, vejamos como é importante a existência de pessoas do quilate da treinadora.

Criaturas que não questionam antes, não ficam na beira da piscina pensando se pulam ou não. Ou perguntando para saber como está a pessoa.

Dar esse salto e mergulhar é acolher o outro, ir ao encontro das necessidades urgentes que, por vezes, podem ser apenas um abraço, ou um simples eu estou aqui.

O pulo no fundo da piscina é muito significativo, pois ele é exatamente isso. Lá, embaixo d’água, a treinadora não disse nada. Ela abraçou e trouxe a atleta para cima.

Quase sempre só precisamos fazer isso. Estarmos disponíveis para o outro. Doarmos um ombro, alguns minutos de escuta.

Curioso é que vez ou outra todos nós podemos submergir, ter nossos momentos de fragilidade. E sabemos da importância de ter alguém para nos salvar.

Será que alguém também pode contar conosco?

Caso sim, já dissemos isso? Deixamos claro que estamos a postos para ajudar?

Precisamos nos amparar diariamente, estar atentos, participantes na vida um do outro.