
Foi o destino que me fez nascer, eu e meus contemporâneos, nesta grande era, quando os judeus voltaram a restabelecer sua pátria mãe. Não sou mais um judeu errante que migra de país em país, de exílio em exílio. Mas todos os judeus, em cada geração, devem se ver como se tivessem estado lá, nas gerações anteriores, nos lugares e nos acontecimentos anteriores. Portanto, eu ainda sou um judeu errante, mas não nos caminhos dispersos do mundo.
Hoje, eu migro através das extensões do tempo, de geração em geração, pelos caminhos da memória.
Eu fui um escravo no Egito. Eu recebi a Torá no Monte Sinai. Junto com Oséias e Eliau, eu cruzei o Rio Jordão. Eu adentrei Jerusalém com Rei Davi (aproximadamente em 1000 AEC), fui exilado de lá com o Rei Zedekias (586 AEC), e não a esqueci nas margens dos rios da Babilônia. E quando o Senhor retornou os cativos de Tzion (538 ACE), eu sonhei entre os construtores de suas defesas. Eu lutei contra os romanos (66-70 EC) e fui banido da Espanha (1492), fui massacrado em Mainz. Eu estudei Torá no Iêmen e perdi minha família em Kishinev (Rússia, 1903).
Fui incinerado em Treblinka (1942), rebelei-me em Varsóvia (1943), e emigrei para a Terra de Israel, o país de onde eu fora exilado e onde eu havia nascido, de onde eu venho e para o qual eu volto.
Eu sou um judeu errante que segue os passos de seus antepassados, assim como eu os acompanhei então e agora, assim meus antepassados me acompanham e aqui estão comigo hoje. E assim como a memória nos força a participar em cada evento de nosso passado, assim a virtude da esperança nos força a nos prepararmos para cada dia de nosso futuro.
Ezer Weizman, fundador da Força Aérea Israelense, Presidente de Israel
em um discurso ao Bundestag Alemão, 1996. Discurso escrito pelo romancista israelense Meir Shalev.
Chag Pessach Sameah



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