
Este ano chega aos cinemas a nova adaptação em live action de He-Man e os Mestres do Universo. A expectativa é grande graças ao trailer bacana. Será o segundo longa live action do herói nos cinemas. História que recordamos a seguir.
He-Man é sui generis na cultura pop. Ao contrário de franquias como Star Wars e Batman 66, originadas de filmes ou quadrinhos e transformadas em linhas de brinquedos, o herói de Eternia surgiu em 1982 diretamente para as lojas. Em 1976, a Mattel recusou fabricar a coleção de Star Wars. A Kenner conseguiu os direitos e vendeu horrores dos bonequinhos, tornando milionário George Lucas. Coube à Mattel correr atrás da concorrência e desenvolver seu produto.
De trajetória meteórica, ao menos nessa primeira fase, He-Man e os Mestres do Universo reinou no segmento: rendeu US$ 38,2 milhões em 1982. Heróis e vilões chegavam acompanhados de histórias em quadrinhos. Era preciso um universo, um enredo para que as crianças embarcassem nas brincadeiras. Não tardou e veio o desenho animado He-Man e os Defensores do Universo, produzido pela Filmation. Foram 130 episódios exibidos entre 1983 e 1985, um spin off (She-Ra: A Princesa do Poder) e virou febre.
Grupos de festas infantis passaram a inserir He-Man ao lado de Batman, Mulher-Maravilha e Superman. Trem da Alegria gravou canção temática de sucesso. Editoras publicaram gibis. Ele enfrentaria até o Superman. Em 1986 aportaria nos cinemas brasileiros com O Segredo da Espada Mágica, compilação de cinco episódios que apresentavam She-Ra e o planeta Etéria. Nós, crianças, adorávamos. Não havia a percepção do que era produto para cinema ou televisão. Sem internet ou celulares, restava o cinema ou a televisão. Para mim, o primeiro He-Man da telona era O Segredo da Espada Mágica e ponto – era comum no Brasil a junção de episódios de séries de TV e transformá-los em longas para cinema, a exemplo do Homem-Aranha dos anos 70.
Em 1986, a Mattel arrebataria US$ 400 milhões com os brinquedos e, em 1987, US$ 7 milhões. Queda brusca. Muitos atribuem ao longa live action Mestres do Universo (1987), que mirava o grande público e pouco tinha da animação. Não há Príncipe Adam nem Gato Guerreiro, pouco vemos Eternia e a maior parte da trama ocorre na Terra.
A produção era da Cannon Filmes, dos primos Menahem Golan e Yoram Globus. A política: menor orçamento possível e tentar arrecadar o máximo. Vieram produções B que pegavam carona em sucessos do momento. Mestres do Universo se revelou fiasco de público e crítica. Chegou desconectado do desenho e da linha de brinquedos. He-Man de capa vermelha tipo Superman. Gorpo deu lugar a Gwildor, sem carisma.
Em Eternia, Esqueleto invade o Castelo de Grayskull e captura a Feiticeira. Planeja unir o poder dela ao dele. He-Man, Mentor e Teela resgatam Gwildor, inventor da Chave Cósmica capaz de abrir portais. Dominados, fogem para a Terra. A Chave cai nas mãos dos adolescentes Julie e Kevin.
Quando vemos Eternia, surge um planeta quase deserto e a comparação com a saga criada por George Lucas é inevitável. Bill Conti, autor das clássicas trilhas de Rocky e Karatê Kid, emula John Williams e Star Wars. Perdeu a chance de usar o tema clássico da animação. Soldados de Esqueleto lembram Stormtroopers.
Julie perdeu os pais num acidente aéreo. Para uma criança, era chocante. Foi um dos primeiros trabalhos de Courteney Cox, depois Monica em Friends e Gale em Pânico. Kevin é uma mala, é verdade. Ainda assim, permitia que crianças se enxergassem na aventura. Ambientação suburbana era recorrente nos anos 1980 e permitiria fatos fantásticos sem chocar o mundo.
Meg Foster, a Maligna, assustava com seus olhos reais e vibrantes. Frank Langella, o Esqueleto, adota tom galhofa típico de vilões oitentistas.
Dolph Lundgren recebeu a chance de protagonizar uma produção popular. Antes chamara atenção como Ivan Drago em Rocky IV. Nunca foi grande intérprete, porém deu vida a figuras cultuadas, até o Justiceiro da Marvel. Em Mestres do Universo surge musculoso e inexpressivo. E a direção de Gary Goddard é refém da produção precária. Efeitos visuais soam datados, embora à época cumprissem a função ante o público infantil. O filme arrecadou US$ 17 milhões, abaixo do orçamento. A continuação foi cancelada e parte do projeto virou Cyborg: O Dragão do Futuro, com Van Danme.
Depois surgiram novas animações, inclusive produções recentes da Netflix.
Mestres do Universo virou cult por misturar defeitos, ousadias e memória afetiva. Agora, com nova adaptação chegando às telas, fica a curiosidade de saber se He-Man finalmente terá um filme que uma nostalgia e grandiosidade que o universo sempre prometeu no imaginário de quem cresceu em Eternia.



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