Santos, 476

“Meu compromisso é administrar com seriedade, transparência e muito trabalho”, diz Rogério Santos

21/01/2022
“Meu compromisso é administrar com  seriedade, transparência e muito trabalho”, diz Rogério Santos | Jornal da Orla

Após completar o primeiro ano de seu mandato, o prefeito de Santos, Rogério Santos (PSDB) faz uma avaliação positiva de sua gestão, mas ressalta as dificuldades enfrentadas por conta da pandemia. Segundo ele, o grande desafio foi administrar o inesperado, inclusive as críticas de parte da população em relação às restrições necessárias para evitar a disseminação da Covid-19. Rogério Santos destaca as vantagens das parcerias com a iniciativa privada, por intermédio de um dispositivo legal criado na gestão de seu antecessor, Paulo Alexandre Barbosa, e os planos que tem para a cidade em 2022.

Entrevista a  Marco Santana

Jornal da Orla – Qual foi a maior dificuldade que o senhor enfrentou na pandemia? Foi a falta de ação do governo federal, que, na prática jogou contra o enfrentamento, jogou a favor do vírus; ou foi a resistência de uma parcela da população, que não entendeu a gravidade do problema; ou foram as dificuldades orçamentárias e materiais da cidade?

Rogério Santos-  Na verdade, a grande dificuldade que todos nós tivemos com a pandemia foi o inesperado. Uma doença nova, o mundo não estava preparado pra essa pandemia. E o maior desespero, sem dúvida, foi quando começou a faltar oxigênio, medicamentos e equipes por todo o Brasil. Mas, graças a Deus, aqui em Santos ninguém morreu por falta de atendimento. Ampliamos as UTIs e o atendimento laboratorial, inovamos em várias ações.

Foi o momento que tivemos que fazer o lockdown. Imagina pra uma sociedade como a nossa, brasileira, uma sociedade latina, baseado na convivência, nas atividades sociais. No confinamento, o momento mais difícil foi a resistência das pessoas quanto o inesperado e a falta de insumos para que pudéssemos salvar a vida das pessoas.

JO- No ano passado, seu primeiro ano de gestão, o senhor utilizou um recurso bem interessante para promover investimentos na cidade, através de parcerias com a iniciativa privada. Queria que o senhor fizesse uma avaliação dos Trimmcs (Termos de Responsabilidade de Implantação de Medidas Mitigadoras e/ou Compensatórias) formalizados no ano passado e quais os Trimmcs que podem ser viabilizados até o final de 2022.

Rogério Santos-  Brasil é um país que investiu muito pouco em obras, construções e infraestrutura, é um país que gasta muito e gasta mal. Aqui, nós criamos, no governo Paulo Alexandre, a Lei de Impacto de Vizinhança. Através disso, compensações foram feitas ao longo desses últimos anos na cidade. É uma ferramenta importante, as receitas do município são insuficientes, as receitas do governo federal são insuficientes, do estado também, então temos que inovar na administração pública e buscar parcerias. É o que nós estamos fazendo agora, por exemplo, com o governo federal, que fala da publicização do porto nesses grandes leilões, e nós, cidade de Santos, estamos exigindo contrapartida. Um grande exemplo desse pedido de contrapartida é um sonho, o sonho do santista de ter um túnel ligando à Zona Noroeste. Uma ligação importantíssima na logística da cidade. No próprio acesso a Santos pela Imigrantes, teria mais um acesso, além da entrada pela Anchieta, também ali pelo maciço central, através de ligação por São Vicente, chegando a Santos.

JO – Em 2022, o que a população pode esperar em termos de grandes investimentos públicos na cidade?

Rogério Santos-  Santos tem vocações latentes. Este ano continuaremos investindo no turismo, esse ano entregaremos o novo Quebra-Mar, dentro do projeto estabelecido com um grande parque de lazer, esportes e turístico. Faremos investimentos aqui no centro, os festivais, então investiremos pesado no turismo. Turismo de várias partes, Turismo de Aventura, o ecoturismo na área continental, o turismo cultural dos morros, as bordadeiras, a gastronomia, na Lagoa da Saudade, turismo na Zona Noroeste… Enfim, investiremos no turismo e na promoção da cidade de Santos como local de turismo, além das parcerias que já temos, e o turismo de negócios.

Na atividade portuária, estamos com o governo federal observando passo a passo dessa publicização para que o porto de Santos seja cada vez mais atrativo e gere empregos. E também tecnologia, a organização da cadeia da tecnologia na cidade. Então tem muito trabalho, principalmente no ano de 2022, a retomada da economia na cidade.

JO- Em 2022 teremos eleições pra governador do estado e presidente. Independentemente de quem sejam os vencedores, eles têm a obrigação de ajudar Santos. No seu entendimento, que compromissos os candidatos devem assumir com a cidade?

Rogério Santos-  Santos é uma cidade estratégica para o nosso país, a balança comercial passa pelo porto da cidade, ele é fundamental para toda cadeia logística do país. Santos é um berço da cultura, a cultura santista é histórica, aqui é a cidade do Patriarca da Independência. Aqui é uma cidade muito bem estabelecida. Às vezes, eu vejo pessoas falando a bobagem de que Santos “precisa da ajuda” do governo federal, ou do governo do estado. Isso pra mim é uma grande bobagem, não é ajuda! Os governos federal e estadual têm a obrigação de investir em Santos, aliás, em todas as cidades, mas Santos é uma cidade estratégica para o país. Se o Brasil conseguiu ter algum ponto positivo na economia é graças ao Porto de Santos, às exportações, ao setor agrícola… Santos é um grande porto da cadeia agrícola do Brasil, por aqui passam açúcar, celulose… Enfim, muita coisa passa pelo porto. Então, o governo federal e o estadual têm a obrigação de ter um olhar especial para com a cidade. E nós, a cidade de Santos, temos tratado de maneira respeitosa o governo federal assim como o governo do estado.

JO – O senhor pode citar um projeto específico que o governador pode viabilizar e outro que o presidente pode viabilizar?

Rogério Santos- Só no último ano, junto com o Governo do Estado, anunciamos mais de 1200 moradias especificas para o Dique da Vila Gilda, sabemos que há um grande passivo social no dique, a maior favela de palafitas do Brasil… E é um problema social, ambiental, econômico… E o Governo do Estado assinou com a gente mais de 1200 moradias pra essa população específica. Em relação ao governo federal, existe essa parceria que queremos realizar, que vai beneficiar os morros, Zona Noroeste e também a cidade toda, que é o túnel da Zona Noroeste. Algo que a gente vem pedindo em contrapartida à publicização dos portos… Temos que investir em obras e infraestrutura, é fundamental, porque além de aumentar a qualidade de vida, gera muitos empregos. Essas obras, por exemplo a da entrada da cidade, gerou mais de 2000 empregos. Construção civil e obras de infraestrutura são fundamentais para a geração de empregos.

JO – O senhor acaba de completar um ano de mandato. Queria que o senhor fizesse uma avaliação deste ano. O que o senhor acha, olhando agora pelo retrovisor, que poderia ser feito de uma maneira diferente ou mais eficiente?

Rogério Santos-  Olha, eu vejo que tudo o que foi feito na cidade, foi feito em cima de decisões com muita dificuldade. Quando fizemos o Lockdown, que é uma decisão extremamente dolorosa, porque você tem que optar entre salvar vidas e salvar empregos e nós sabíamos que fazendo o lockdown nós iriamos prejudicar o comércio, as atividades econômicas, o emprego…, mas era algo necessário. Eu sempre falei que se encontro na rua uma pessoa morrendo por falta de ar e uma pessoa triste porque perdeu o emprego, eu vou socorrer primeiro aquele que está morrendo por falta de ar, mas não deixaria de dar atenção àquela pessoa que estava sofrendo com a perda do dinheiro. Foi uma decisão difícil, mas hoje se mostra uma decisão extremamente acertada. Então, em relação à pandemia, algo que estremeceu o mundo todo, a cidade de Santos está de parabéns. Não só o poder público, mas também a população. Se hoje somos uma das cidades que mais vacinou é graças a essa população consciente que é a santista. Porque não adiantava ter vacina e postos de vacinação se a população não aderisse, e ela aderiu. Está acontecendo agora com a vacinação das crianças, com a terceira dose, que é algo muito positivo.

Então a avaliação que eu faço da cidade de Santos é algo que eu tinha certeza, o morador de Santos é especial, ele tem uma consciência do todo. É uma população extremamente crítica, no aspecto positivo.

JO – A cidade completa mais um aniversário agora dia 26 de janeiro que presente o senhor gostaria de dar à cidade, a cada morador?

Rogério Santos-  A manutenção da qualidade de vida, eu acho que é o maior patrimônio da cidade. Santos tem suas belezas, sua cultura, seus indicadores positivos, que foram construídos ao longo desses anos), e é graças a essa população.

Eu acho que manter as características de Santos, preservar a qualidade de vida, mas pra isso precisamos trabalhar muito – e juntos – para que esses aspectos atinjam todos os santistas. Então o que eu gostaria é que nós, todos juntos, cada um fazendo sua parte, conquistássemos a tão sonhada igualdade social. Que não tivéssemos mais palafitas, nem cortiços, que tivéssemos mais condição de moradias nas áreas de invasão dos morros… Para que essa oportunidade chegasse a todos os santistas. Dignidade pra todos e oportunidade pra todos é o presente que todos nós gostaríamos de receber.

É uma grande felicidade trabalhar pela cidade, fazendo a gestão nesses quatro anos. O prefeito nada mais é que uma pessoa contratada pela população para administrar a cidade e meu compromisso é administrar com seriedade, transparência e com muito trabalho. Mas eu preciso da colaboração de todos, o sentimento de cidadania e orgulho que temos com nossa cidade.