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Luiz Fernando Veríssimo e o Jazz

06/09/2025 Cássio Laranja
Luiz Fernando Veríssimo e o Jazz | Jornal da Orla

O Brasil perdeu no último dia 30 de agosto, um dos seus principais escritores: o querido Luiz Fernando Veríssimo, um homem que não gostava muito de falar e apreciava ouvir as pessoas.
Curiosamente e bem antes de se tornar um escritor renomado e famoso, ele se apaixonou pelo Jazz.

Na adolescência com 16 anos de idade foi para os Estados Unidos, acompanhando seu pai, o também grande escritor Érico Veríssimo e por lá resolveu estudar música.

Tinha o grande sonho de estudar e aprender a tocar trompete, influenciado pelo seu grande ídolo, o também trompetista e cantor Louis Armstrong, grande embaixador do Jazz pelo mundo.

Como não havia curso para trompete por lá, acabou seduzido pelo saxofone, instrumento que seria o seu principal companheiro nas inúmeras apresentações ao vivo e gravações em estúdio.

Retornou ao Brasil com 20 anos e formou uma banda de estudantes em Porto Alegre.

Quando já era um escritor famoso e respeitado, integrou o grupo Jazz 6, que ele dizia que era composto por 5 integrantes. Ele curiosamente não reconhecia seu talento na música e brincava muito com isso.

O Jazz 6 chegou a gravar 5 álbuns com ele no saxofone entre os anos de 1998 e 2011.

O repertório só grupo era eclético e composto de releituras de standards nacionais e internacionais do JAZZ, inclusive com inúmeras apresentações ao vivo.

Outra passagem musical importante foi ao lado dos irmãos chargista Paulo e Chico Caruso no Grupo Conjunto Nacional, gravando 2 discos com composições autorais recheadas de humor político.

Ele teve também vários poemas musicados por vários nomes importantes da nossa música, reforçando sua versatilidade e talento.

Durante sua vitoriosa carreira como escritor, escreveu com frequência, paixão e conhecimento várias crônicas inspiradas sobre sua maior paixão. Inclusive lançando o livro “Jazz“ em 2012 pela editora Foglio, com 35 páginas, trazendo uma seleção de textos publicados e outros mais antigos e inéditos

Para encerrar, merece destaque que sua experiência com o Jazz foi plena e sublime. Teve o privilégio de ver ao vivo, o saxofonista Charlie Parker, o pianista Count Basie e seu grande ídolo Louis Armstrong, nos lendários clubes de Jazz de Nova Iorque.

Tive a honra e o privilégio de estar com ele 2 vezes presencialmente e obviamente conversamos muito sobre o Jazz, paixão que nos aproximou ainda mais.

A música veio antes da escrita, deste gigante e genial brasileiro. Nossa eterna reverência!