
Vocês já perceberam que nos contos de fadas as princesas são sempre jovens, bondosas e bonitas, enquanto as bruxas são velhas, feias e más? Parece inofensivo, mas é um estereótipo que pode influenciar o preconceito na mente das crianças para toda a vida. Elas devem aprender cedo que os animais envelhecem, que o pai e a mãe envelhecem, que envelhecer (e morrer) é parte da vida.
Como fazer isso? O significado da palavra intergeracionalidade, que parece tão complicada, é sábio: interação social e troca de experiências e conhecimentos entre pessoas de diferentes gerações, construindo pontes de respeito, amor e aprendizado mútuo, combatendo o preconceito etário (idadismo) e valorizando a contribuição de todas as faixas etárias para a sociedade.
O preconceito contra o envelhecer ainda é muito forte e os estereótipos negativos começam na infância, como revela o médico e escritor Egidio Lima Dórea, coordenador da USP 60+. Pensando nisso lançou “As aventuras planetárias de Liam e Arthur” (Portal Edições), seu primeiro infantil, para revelar, com delicadeza e sensibilidade, a invisibilidade dos mais velhos dentro da família e a importância dos vínculos entre gerações.
No livro, Liam é um garoto de 10 anos que vive em um planeta onde não há injustiça, preconceito ou discriminação. Para uma pesquisa escolar, ele viaja até a Terra e conhece Arthur, de 7 anos, que mora com os pais, o irmão mais velho e o avô João. Liam percebe a tristeza do avô, ignorado e sem voz dentro de casa.
Então resolve levar o menino e o avô em uma viagem inesquecível ao seu planeta, onde percebem uma realidade diferente: crianças, jovens e idosos compartilhando atividades e aprendizados em harmonia, uma nova dinâmica familiar também. Dessa experiência nasce uma nova forma de convivência, e o vovô João reencontra sua autoestima e lugar de afeto na família.
Segundo ele, uma criança sem preconceito de idade, cor ou gênero, vai crescer mais feliz e empática: “Temos que desconstruir o preconceito na gênese dele. Quando ao longo da vida a pessoa tem todos os estereótipos reforçados, é muito mais difícil”, ele diz.
Com a obra, Dórea espera contribuir no combate ao idadismo: “Na família ainda existe um olhar mais generoso com os seus velhos, mas em muitas situações eles ficam à parte, esquecidos. Claro que os mais velhos também têm preconceito com o jovem, mas a sociedade é mais dura com eles. A criança e o adolescentes serão o futuro da sociedade; o velho não tem mais futuro nem presente, é o passado que consome recursos”, comenta.
Os estudos mostram que a convivência entre gerações além de trazer benefícios para os mais velhos, transforma não só a criança, mas quem está próximo a ela. Dórea afirma que as escolas devem preparar encontros intergeracionais para semear um ambiente de inclusão e de pertencimento. “Envelhecer é natural, não é doença, é relevante e traz ricas experiências de vida. Quem pensa só na aparência e não na saúde envelhece mal e inconformado.”
Dica de filme

Uma Família em Apuros
Artie (Billy Crystal) e Diane Decker (Bette Midler) passam a cuidar dos netos quando a filha começa a trabalhar. Como os métodos modernos de educação dos pais são diferentes de suas ideias, resolvem abandonar as recomendações e usam táticas inesperadas para conquistar os netos e prepará-los para a vida. No Disney Plus.



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