
O ilustrador e jornalista Sérgio Ribeiro – o Seri – encontrou na pandemia um impulso para investigar um tema que sempre o fascinou: de onde vem a criatividade? A partir de vídeos publicados nas redes sociais, ele acabou sendo provocado a abordar o bloqueio criativo — e dessa troca nasceu a semente de seu novo livro, “Ih, Agora? Criatividade e Bloqueios Criativos Para Leigos Como Eu” que está em campanha de financiamento coletivo no Catarse.
Com formação em Jornalismo e vasta experiência em ilustração, Seri decidiu aplicar sua escuta de repórter a um projeto ambicioso: entrevistar pessoas de diferentes áreas para entender como lidam com os bloqueios criativos e como transformam suas dificuldades em potência. São mais de 20 entrevistados, entre artistas, educadores, religiosos, pessoas LGBT+, até um palhaço e um dirigente de uma rádio feita por pessoas com transtornos mentais.
Entrevistas
“Quis sair do óbvio. Não queria ouvir só ilustradores ou músicos. Fui atrás de gente comum, mas com histórias extraordinárias”, explica. “Conversei com escultores, fotógrafos, uma drag queen, um espírita que fala da criatividade no campo da espiritualidade… Um dos relatos mais impactantes foi o de uma mulher que sofreu abuso, teve bloqueios emocionais sérios, mas conseguiu se reconectar consigo por meio da criatividade, da hipnose e da neurolinguística”.
O livro é estruturado em capítulos que começam com uma caricatura do entrevistado — todas feitas por Seri —, seguidas de um pequeno texto introdutório, o depoimento principal e, ao fim, uma dica prática baseada na fala da pessoa. “Quis que fosse um livro leve, divertido de ler, com humor e variedade visual. Além das caricaturas, há infográficos e ilustrações que ajudam a apresentar o tema”.
A proposta vai além do universo artístico. “Não é só para quem trabalha com criação. A criatividade é ferramenta de autoconhecimento, de cura e de empoderamento. Tem muito a ver com a nossa evolução como seres humanos”, acredita Seri. “Se o cérebro humano tem milhões de anos, o neocórtex — onde se dá a criatividade — é um bebê. Quem sabe o que ainda vamos desenvolver? Talvez até a telepatia, quem sabe?”
Financiamento Coletivo
Com a recusa de editoras tradicionais e os altos custos cobrados por editoras independentes, Seri optou pelo financiamento coletivo na plataforma Catarse. “O crowdfunding te dá autonomia, contato direto com o leitor, liberdade para criar recompensas criativas. É mais trabalhoso, claro, mas muito mais recompensador”, afirma. Entre as recompensas, há desde o livro impresso a caricaturas personalizadas e convites para o lançamento com direito a uma taça de vinho.
Ele também conta com o apoio do selo Clube do Desapego Literário, criado por uma amiga que começou a resenhar livros nas redes sociais e agora atua em parceria com autores independentes. “Está sendo uma troca maravilhosa. Ela me ajuda com as redes sociais, com a divulgação. É um trabalho coletivo mesmo”.
Seri destaca ainda o impacto que o projeto teve sobre os próprios entrevistados. “Teve pedagoga que percebeu, só ao me dar a entrevista, que a criatividade vai sumindo das escolas à medida que as crianças crescem. Teve palhaço que gravou o vídeo maquiado, com nariz vermelho, para agradecer. São relatos que tocam e transformam. Cada um deles é especial”.
Como ajudar
O lançamento do livro está previsto para setembro, ainda sem data marcada. Para colaborar com a campanha e garantir seu exemplar, basta acessar o link. “A mensagem que quero deixar é que a criatividade está em todo mundo. Ela pode ser uma chave para ultrapassar bloqueios, traumas, medos. É sobre ressignificar a vida e enxergar a diversidade como riqueza. No fim, é sobre evolução”, conclui.


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