
Condição aumenta risco de quedas, internações e declínio funcional e pode abreviar a vida
Perda de peso sem motivo aparente? Sensação constante de cansaço? Fraqueza muscular? Caminhada lenta? Baixa atividade física? Diabetes? Se a resposta a três ou mais dessas perguntas for sim, é hora de procurar um médico ou um posto de saúde. Pessoas idosas que apresentam esses sintomas devem ser priorizadas no atendimento, pois, muito possivelmente, estão desenvolvendo a síndrome da fragilidade — uma condição que aumenta significativamente o risco de quedas, a segunda maior causa de morte entre pessoas com mais de 65 anos.
A síndrome da fragilidade antecipa o final da vida e se manifesta de maneira diferente entre homens e mulheres. Essa foi a principal conclusão de um estudo realizado em conjunto por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da University College London, no Reino Unido. Durante doze anos, cientistas brasileiros e britânicos acompanharam e analisaram os dados de 1.747 pessoas idosas com mais de 60 anos, com avaliações a cada quatro anos. Em comum, nenhum dos participantes apresentava sintomas da síndrome da fragilidade ou da pré-fragilidade — que ocorre quando um ou dois dos sintomas mencionados são confirmados.
Ao longo do estudo, revelou-se que, entre os homens, há maior risco de desenvolver a síndrome quando há presença de diabetes, osteoporose, baixo peso, doenças cardíacas e perda auditiva. Já entre as mulheres, o risco está associado a níveis elevados de fibrinogênio no sangue (um marcador de doenças cardiovasculares), diabetes e acidente vascular cerebral (AVC).
Quando a síndrome da fragilidade se instala, o grande perigo é a ocorrência de quedas. Elas podem provocar a morte imediatamente ou gerar lesões que exigem internação hospitalar e um período incerto de recuperação. Esse processo é especialmente danoso, pois leva à imobilidade, perda de autonomia e autoconfiança, abrindo espaço para outras doenças, alterações comportamentais e sinais de declínio físico e mental.
Embora a pesquisa tenha sido realizada com pessoas idosas do Reino Unido, a abrangência geográfica não interferiu no foco da equipe brasileira, que buscava compreender outros aspectos da síndrome. Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar e um dos autores do estudo — financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) —, explica: “A síndrome da fragilidade serve como um sinal amarelo para desfechos negativos em pessoas idosas. Chegou-se a acreditar que ela ocorria por uma via única, mas nosso estudo reforça que diferentes percursos podem levar à síndrome”.
“As conclusões a que chegamos podem e devem refletir na atenção básica de saúde e, a partir daí, resultar em planos de ação e intervenção”, defende o pesquisador. “Quando se pensa em envelhecimento e qualidade de vida, é muito importante conhecer os principais fatores de risco para antecipar os problemas. Dessa forma, podemos direcionar políticas públicas distintas para homens e mulheres”, conclui.


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