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Enquanto ‘Marvin’ tocava no rádio…

18/11/2025 Addriana Cutino
Arquivo pessoal

Um dos maiores sucessos dos Titãs ilustra a história que eu conto hoje. Se você ama rock como eu, sabe bem o significado de ‘Marvin’, gravada em 1984 e lançada como single pela banda, em 1988. A versão original é americana e se chama ‘Patches’. Conta a história de um garoto pobre do Alabama que precisa se esforçar para sustentar a família. A versão dos Titãs é uma adaptação e relata a luta pela sobrevivência, a responsabilidade precoce e todo o processo de superação de um jovem que passa a ser o provedor da família após a morte do pai. Então, vamos a minha versão de ‘Marvin’, baseada na história real de quem abraçou as oportunidades na vida depois do luto e transformou-se em um dos grandes empreendedores da Baixada Santista: Claudio Costa Feliciano Silva, dono de oito lojas da Autêntica Vistorias e sócio da loja de Santos da Casa Brasileira Móveis Planejados.

A VIDA É PRA VALER
“Disse Marvin, agora é só você. E não vai adiantar. Chorar vai me fazer sofrer. Oh, Marvin, a vida é pra valer. Eu fiz o meu melhor. E o seu destino eu sei de cor.” Na época, o refrão da música foi parar no subconsciente do estagiário de 16 anos que trabalhava no Instituto de Pesca de Santos. Como um antigo vinil arranhado virou um mantra. A canção estourou em sucesso no momento em que o pai de Cláudio se despedia da vida. “E eu fui pra luta”, conta.

Lá foi o apaixonado pelo mar e mergulho. Impossível poucas linhas para contar a trajetória do garoto que amadureceu rápido, mas eu preciso ser sucinta. Antes, registro aqui a minha impressão como jornalista que ama ser ouvinte e observadora: a disciplina que Cláudio aprendeu no esporte, como atleta de canoagem, talvez tenha o ajudado a encarar tantos desafios. Pra quem não sabe, ele fundou a Associação de Canoagem de Santos junto com Fábio Paiva e o pai do ex-vereador de Santos, Fábio Alexandre Nunes, o Professor Fabião.
Antes de chegar à empresário, Cláudio absorveu experiência nos mais diversos setores. Ser múltiplo e versátil são facilitadores pra quem enfrenta desafios e não desiste. Do estágio de taxidermia à participação de pesquisas no Instituto de Pesca foram várias vivências. Ele chegou a participar de uma ação de monitorando e preservação de tartarugas, antes mesmo da existência do Projeto Tamar.

O primeiro emprego longe do oceano foi na segunda maior empresa, na época, do pólo petroquímico de Cubatão. Em pouco tempo, ele subiria a serra.

CARREIRA METEÓRICA DIGNA DE ‘MARVIN’
Dos encontros inesperados da vida, Cláudio conheceu pessoas que o levaram para uma carreira meteórica no mundo corporativo e uma mudança significativa de vida. A primeira oportunidade veio após um treino de canoagem na praia quando teve contato com um gerente da Metal Leve, indústria brasileira fabricante de autopeças, que o convidou para trabalhar na capital. Na empresa, ele atuou na área de segurança do trabalho, ainda cursando o ensino técnico. Em três anos, passou por ascensões de cargos e chegou ao patamar de supervisor.

Aos 28 anos idade, ele foi promovido a um cargo executivo, responsável por chefiar cinco fábricas da empresa no Brasil, uma delas no Rio de Janeiro. Cláudio também foi escalado para comandar o comitê de implantação da ISO 14000 na empresa. Foram dez anos atuando na função até a reestruturação e seu consequente desligamento.

De volta onde tudo começou

“Voltei pra Santos, acionaram um headhunter para eu ser recolocado no mercado de trabalho, fiz três entrevistas e descobri Síndrome do Pânico, que não se falava na época. Decidi largar de vez o mundo corporativo e fui trabalhar com o meu irmão na vidraçaria dele, carregando vidro e dirigindo caminhão. Voltei a morar com a minha mãe e deixei de ser um grande executivo de São Paulo para virar motorista, entrar nas varandas dos clientes e eu estava leve!”, conta.

Mas não demorou muito para mais uma mudança, desta vez, um salto para o mundo dos negócios e do empreendedorismo.
“Eu conheci uma namorada e ela trabalhava em uma empresa que produzia placas de carro. Eu fiquei amigo do chefe dela e, logo em seguida, ele foi promovido e a empresa estava em busca de um substituto. Eu fiz a entrevista e fui aprovado para ocupar o cargo de diretor da Baixada Santista da produção, distribuição e comercialização das placas de veículos de toda a região. Nesta época, eu abri a minha empresa: a Autêntica Vistorias e mantinha a vida de empreendedor e colaborador.”, explica.

A dupla jornada não se estendeu muito. Por questões de diretrizes – como Claudio tinha um relacionamento com uma funcionária da empresa – ele foi desligado. “A partir dali eu me dediquei 100% à Autêntica e explodimos no mercado. Eu trouxe toda a minha experiência do mundo corporativo, expertise do mercado e inovei, graças a minha experiência de tecnologia em produção.”

A empresa do Cláudio completou 18 anos e virou referência na elaboração e emissão de laudos, pesquisas, transferências e perícias de veículos nas oito unidades espalhadas na Baixada Santista. A Autêntica Vistorias possui a certificação ISO 9001, para atuar com segurança na prestação dos serviços.

A visão empresarial o fez seguir para mais um setor diferente e há seis anos, na Rua Senador Feijó, em Santos ele abriu junto com o sócio e irmão, Stenio Feliciano da Silva, a Casa Brasileira Móveis Planejados, franquia de 36 anos de história. A fábrica em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, é toda automatizada. Cláudio nos deixa a lição de que na vida devemos ser um pouco camaleões. “Temos que ser multidisciplinares e nos adaptarmos. O empresário não pode esquecer de uma fórmula: 80% da empresa são pessoas, 20% técnica.

Quando você cuida da gestão e investe na capacidade técnica da equipe, você alcança a prosperidade. Mesmo na era da IA, se você não souber gerir pessoas, você não atinge o sucesso.” Valeu ‘Marvin’!