
Prevenção a quedas é essencial em uma cidade que tem grande parcela da população idosa
Os indicadores a seguir merecem muita atenção, porque tratam da crescente importância da gravidade das quedas, sejam elas na rua ou em casa. A mais recente estimativa do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia aponta que, no último ano, 40% dos idosos com mais de 80 anos sofrem quedas. A Organização Mundial da Saúde (OMS), traz números de pessoas com 65 anos ou mais: 35% dela caem pelo menos uma vez por ano. Com maiores de 70 anos, o índice sobe: 42%. Já em estudo do Laboratório de Avaliação e Reabilitação do Equilíbrio da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), as quedas são a segunda causa das mortes de adultos com 65 anos ou mais.
Santos, por ter expectativa de vida superior à média do Brasil e do Estado de São Paulo, e onde a população acima de 55 anos é superior à de 0 a 15 anos, desde 2007, a prevenção contra quedas é essencial para garantir qualidade de vida à pessoa idosa.
As quedas podem causar lesões profundas, como fraturas expostas ou traumatismo craniano no momento do acidente. Mas é nos ferimentos causados durante o breve descuido que mora o perigo. Quedas reduzem a mobilidade, a autonomia e a autoconfiança, abrindo espeço para a depressão, que traz consigo uma série interminável de outras enfermidades, inclusive o Alzheimer.
A lista de possíveis causas que provocam as quedas em pessoas idosas é longa. Ele pode estar na diminuição da força muscular, nas alterações da visão, ou na própria noção de equilíbrio ao caminhar. Fatores secundários, como artrite ou uso de quatro medicamentos ou mais também interferem, assim como perda cognitiva e uma série de razões biológicas, comportamentais, sociais e até mesmo ambientais. Quanto maior for o tempo para os cuidados médicos, maior será a gravidade da queda.
Cidade conta há mais de 10 anos com política pública para monitorar cerca de 500 idosos

Santos tem uma política pública da Prefeitura para reduzir as consequências das quedas – o Tele Vida, que está completando dez anos. Nesse período estima-se que entre 1.500 e 2.000 pessoas foram atendidas com a entrega de um aparelho que aciona a ambulância com o toque de um botão.
A contagem dos atendimentos de emergência do Tele Vida em 2025 traz “mal-estar” e “dores” como principais motivos das chamadas. “Quedas”, que não são um motivo genérico, aparecem em terceiro lugar – com um crescimento de 8% para 11% do total de acionamentos. Elas aconteceram principalmente no período da manhã (44%). Em 2024, predominaram as quedas dentro de casa, principalmente no banheiro e em escadas.
Atualmente, 484 pessoas idosas usufruem do Tele Vida, que está ligado à Secretaria da Saúde. Para receber o aparelho – um console, um relógio ou um colar – a pessoa idosa deve ter : ter 60 anos ou mais, morar sozinho ou passar a maior parte do tempo sozinho, além de possuir doença crônica como hipertensão ou diabetes. Não podem ser incluídas pessoas com demência, Alzheimer ou que estejam acamadas sem cuidador e ter vínculo com a unidade básica de pelo menos 6 meses. Após a solicitação, um agente comunitário fará uma visita domiciliar para validar o cadastro. Qualquer pessoa idosa residente em Santos pode participar, desde que cumpra os critérios clínicos e seja acompanhado por uma policlínica da rede municipal há pelo menos seis meses. O programa é gratuito e municipal, sem distinção de bairro ou renda. Para cada idoso, a Prefeitura investe entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil. Vários municípios brasileiros já se interessaram em implantar o seu Tele Vida.
Maria Verônica da Silva Lopes Prado, moradora no bairro de Campo Grande, tem uma história exemplar. Há cerca de três meses, chegando apressada do supermercado, escorregou ao pisar num pacote e desabou no chão. “Foi terrível”, recorda ela, “minha mão virou ao contrário, e a dor era terrível por todo o braço”. Inscrita no Tele Help, arrastou-se até o equipamento e acionou o serviço. “O pior foi abrir a porta. Tive que me apoiar nos cotovelos”.
Levada para o Policlínicas, recebeu o atendimento médico necessário. Hoje, seu agradecimento vai além do socorro. Ela diz não se sentir tão sozinha como antes. “Tenho também uma pulseira com meu nome e o número da Tele Help, porque, se eu cair na rua ou acontecer alguma coisa, alguém pode ligar para o socorro”.


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