Cena

E se… ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’ fosse adaptado por Hollywood?

27/06/2025 Gustavo Klein
Divulgação

Machado de Assis anda vivendo um curioso renascimento internacional. Depois que uma influenciadora literária norte-americana viralizou ao declarar Memórias Póstumas de Brás Cubas como “um dos romances mais geniais que já leu”, o autor atravessou de vez o hemisfério, conquistando leitores nos Estados Unidos.

Com isso, não demoraria muito para que os estúdios de cinema, sempre atentos ao hype, se debruçassem sobre suas obras, farejando ali um novo filão de prestígio. E se Brás Cubas ganhasse, enfim, uma superprodução internacional, com direito a elenco de primeira e direção de um grande nome? Resolvi bancar este exercício de curiosidade. Vem comigo?

O protagonista, Brás Cubas — narrador póstumo, exigiria um ator que mesclasse cinismo e elegância. Ralph Fiennes parece ideal: aristocrático, melancólico e capaz de rir da própria desgraça com distinção.

Virgília, amante intensa e politicamente casada, poderia ser vivida por Marion Cotillard, que combina sensualidade e ambiguidade com perfeição. Lobo Neves, o político pragmático e marido traído, caberia bem a Jude Law, com sua elegância, também se encaixaria no papel.

Quincas Borba é papel para Willem Dafoe — olhar febril, riso inquietante e a aura de quem já dançou com o absurdo, ainda mais tendo como diretor quem eu escolhi…

Marcela, a primeira paixão de Brás: Anya Taylor-Joy traria leveza e mistério ao personagem. Plácida, cúmplice do caso entre Brás e Virgília, teria em Viola Davis, com sua presença contida, uma intérprete perfeita. Na direção, o universo machadiano pede mãos ousadas. Yorgos Lanthimos daria conta da ironia e dos silêncios com maestria.

E a trilha sonora? Entre Philip Glass e o nosso Villa-Lobos, Brás Cubas enfim viajaria do além-túmulo à tela grande do mundo.