
Amizades são fundamentais, amigos são conquistas tecidas com carinho, amor e cuidado
Sabemos o quanto os verdadeiros amigos são preciosos em nossas vidas. Nesta semana, durante o lançamento do meu livro de contos, essa certeza se reafirmou com a presença de tantas pessoas queridas que acompanham minha trajetória e fizeram questão de estar lá. Todos temos amigos de diferentes tipos: os mais antigos, que conhecem nossa história e partilham lembranças; alguns mais presentes, outros nem tanto, mas que mantêm o vínculo, de perto ou de longe.
Há também os amigos mais recentes, que chegaram depois, mas se tornaram igualmente essenciais no nosso caminho. Há aqueles com quem rimos, outros com quem choramos; os que estão sempre dispostos a ouvir, e os que não hesitam em criticar — mesmo com boas intenções. Alguns compartilham conosco o gosto pela literatura, outros por gastronomia ou futebol. Há os parceiros de academia, de caminhada, de cinema. E há, claro, os que têm cadeira cativa para um chope ou um vinho, acompanhados de uma boa conversa. Religião e política são assuntos que podem terminar amizades.
Amigos são conquistas. Relacionamentos tecidos com carinho, amor e cuidado. Quem nos desestabiliza, puxa o tapete ou nos põe para baixo, mesmo com desculpas e afeto travestido, não é amigo. A amizade verdadeira é embalada com ética, convivência, lembranças e respeito. Mas você algum dia já pensou em qual amigo gostaria de ter ao lado num quarto de casa ou hospital, quando a morte estiver próxima e a esperança quase ausente? Difícil, não é?
O excelente filme O Quarto ao Lado (Netflix), escrito e dirigido por Pedro Almodóvar, convida a refletir sobre isso, especialmente para os mais velhos. A história é essa: as jornalistas Ingrid (Julianne Moore) e Martha (Tilda Swinton) foram grandes amigas na juventude, quando trabalharam na mesma revista. Com o tempo, se afastaram. Anos depois, uma doença terminal as reaproxima. E, em meio a um momento extremo, surgem também dilemas morais e escolhas difíceis.
Ingrid se vê profundamente abalada quando Martha pede que ela esteja ao seu lado nos últimos dias, decidida a encarar a morte com dignidade, sem prolongar o sofrimento com tratamentos invasivos ou experimentais. Apesar do tema delicado, Almodóvar foge do melodrama e entrega diálogos potentes, sustentados pelas atuações impecáveis de duas grandes atrizes.
Saí do filme pensando: quem eu escolheria para estar comigo nesse quarto ao lado? Meus filhos? Não seria justo envolvê-los num sofrimento tão íntimo. Um amigo divertido, para trazer leveza? Isso seria uma forma de fuga? Por que não um amigo mais centrado para dar ordem ao caos emocional? Será que seria possível? Recomendo o filme e uma conversa franca com velhos amigos que se conhecem bem.
Dicas para refletir e se emocionar
O Método Kominsky (Netflix)

Uma série deliciosa, com atuações brilhantes. O professor de teatro Sandy Kominsky (Michael Douglas) e seu melhor amigo Norman Newlander (Alan Arkin) enfrentam juntos os altos e baixos da velhice, com muito humor e afeto. Enquanto Sandy tenta manter sua carreira como mentor de atores iniciantes, Norman, seu agente e confidente, lida com as perdas e surpresas da vida.
O Quarteto (Prime Video)

Filme dirigido por Dustin Hoffman, que revela como ressentimentos antigos ainda podem ecoar na velhice. Cissy (Pauline Collins), Reggie (Tom Courtenay) e Wilfred (Billy Connolly) vivem em um lar para músicos aposentados. Às vésperas de um concerto,a chegada de Jean (Maggie Smith), ex-integrante do grupo e antiga paixão de Reggie, desequilibra a harmonia do trio.



Deixe um comentário