
Estratégias de acesso e redução de custos com a alimentação pensando nos itens da cesta básica
A cesta básica tradicionalmente conhecida é representada por um conjunto de alimentos essenciais ao sustento de uma família e utilizada como parâmetro nas políticas públicas de salário-mínimo. Alguns itens como arroz, feijão, óleo e farinha, refletem hábitos culturais e escolhas alimentares que conflitam com as atuais recomendações nutricionais. Ao mesmo tempo, seu custo tem aumentado significativamente, comprometendo a segurança alimentar de famílias de baixa renda.
Utilizando as abordagens econômica e nutricional é necessário discutir os critérios de qualidade e das estratégias para melhorar o acesso e reduzir os custos da alimentação básica.
No campo da economia doméstica, é recomendado o consumo de alimentos in natura, principalmente os sazonais (de época) e evitar os alimentos com elevado nível de processamento (ultraprocessados), mesmo que possam “seduzir” pelo baixo valor de revenda. A compra de frutas, legumes e verduras da estação é uma das formas mais eficazes de economizar sem comprometer a qualidade nutricional da dieta. Outra estratégia é o planejamento semanal de cardápios com os produtos mais acessíveis. Também é possível congelar os produtos de uso constante como feijão, legumes cozidos, pois assim reduz o tempo de preparo e economizamos o gás.
A combinação arroz com feijão, típico da culinária em todo nosso país, confere boa fonte de nutrientes e reduz a necessidade de alimentos cárneos (carnes brancas, vermelhas em geral) para atender às necessidades humanas de proteínas. Vale lembrar que as carnes são os itens mais caros de um cardápio.
O desperdício de alimentos no Brasil é elevado, e parte disso decorre da cadeia de produção até o ponto de venda, mas está relacionado principalmente pela má conservação e mal aproveitamento de partes comestíveis que são descartadas. A utilização integral dos alimentos (talos, cascas, aparas, sementes) podem ser utilizados como complementos alimentares, pois muitas dessas partes que normalmente são dispensadas contém elevado valor nutritivo. Assim, o aproveitamento integral dos alimentos pode gerar refeições nutritivas, criativas e econômicas.
Exemplos de aproveitamento
• Talos de couve e brócolis em farofas ou suflês.
• Casca de banana para o preparo de bolos ou carne vegetal desfiada.
• Sementes de abóbora torradas como petisco ou ingrediente de granola.
• Folhas da couve-flor e da beterraba refogada.
• Cascas da batata assada (chips).
• Cascas de frutas para o preparo de bolos e sobremesas.
No quadro ao lado tem duas receitas saborosas para petiscar usando cascas e sementes: o chips e um delicioso bolo com casca de maçã para o café da manhã ou da tarde. Espero que gostem!!
Texto elaborado em parceria pelos coordenadores dos cursos de Economia, Gastronomia e Nutrição da Universidade Católica de Santos.
RECEITAS
Chips de cascas e sementes
Ingredientes: casca de 2 a 3 cenouras, casca de 2 a 3 batatas, 3 colheres (sopa) de semente de abóbora, 5 colheres (sopa) de azeite de oliva, 2 colheres (sopa) de cheiro verde picado e 1/2 colher (chá) de sal.
Modo de preparo: distribua em uma assadeira as cacas e sementes higienizadas e regue com azeite. Adicione o cheiro verde, a cebolinha e o sal à gosto. Leve ao forno baixo por aproximadamente 15 minutos ou até que fiquem douradas.
Bolo com casca de maçã
Ingredientes: 2 maçãs grandes ou 3 maçãs pequenas,
4 ovos, 2 xícaras (chá) de
açúcar peneirada, 3/4 xícara (chá) de óleo, 2 xícaras (chá) de farinha de trigo peneirada, 1 colher (sopa) de fermento em pó e canela a gosto.
Modo de preparo: higienize e descasque as maçãs, coloque as cascas, o açúcar, os ovos inteiros e o óleo no liquidificador e bata até ficar homogêneo, em quanto isso corte as polpas das maçãs em quadrados pequenos e reserve. Acrescente no liquidificador a farinha e o fermento e bata levemente para não desenvolver a rede de glúten que deixa o bolo elástico, junte as maçãs, a canela a gosto e misture com uma espátula. Coloque em uma assadeira untada e leve para assar em forno pré-aquecido a 170 graus até que fique dourado.



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