Cena

Culturamente Santista traz debates sobre comunicação e memória

27/10/2025 Isabela Marangoni
Arquivo pessoal

O Culturamente Santista – Fórum Cultural e Criativo de Santos chega à sua 12ª edição reafirmando o papel de um dos principais espaços de reflexão e encontro entre artistas, gestores e produtores culturais da região.

Realizado pelo Instituto CineZen Cultural, com apoio da Prefeitura de Santos, Universidade Católica de Santos (UniSantos), Santos Film Fest – Festival de Cinema de Santos, Rizzieri Eventos e Cine Roxy, o evento acontece de 5 a 7 de novembro, com programação gratuita que inclui painéis, shows, exposições e debates sobre os rumos da cultura no mundo contemporâneo.

Trajetória

Criado em 2012 pelo jornalista e cineasta André Azenha, o fórum nasceu de uma necessidade pessoal e coletiva. “Eu tinha o site CineZen Cultural, onde publicava textos e entrevistas sobre cinema e cultura. Quando voltei de São Paulo, comecei a promover bate-papos em cafeterias sobre literatura, cinema e artes plásticas. Os encontros começaram a lotar”, relembra.

A iniciativa se transformou em uma semana de atividades. “Em 2012 surge o Culturamente Santista como uma reunião desses encontros que eu fazia ao longo do ano. Passamos a ocupar espaços públicos e privados — livrarias, teatros, cinemas — e, no segundo ano, o evento entrou para o calendário oficial da cidade”, conta Azenha.

Desde então, o fórum cresceu, conquistando o apoio do Sesc, da Prefeitura de Santos e de universidades, consolidando-se como referência regional em debates sobre políticas públicas e expressões artísticas. “A gente trata de cinema, literatura, artes visuais, música, gastronomia, política e inclusão. É um espaço para refletir sobre a cultura em suas diversas linguagens”, resume Azenha.

A edição deste ano discute “Como a cultura se comunica no mundo atual”, refletindo sobre as transformações trazidas pela internet e pela inteligência artificial. “Hoje, o artista precisa entender que o cenário mudou. Ele precisa saber se comunicar, estar nas redes, ter assessoria. Nem todo mundo é como o Gilberto Gil, que não tem rede social e continua em evidência”, observa Azenha.

Programação e destaques

A abertura será no dia 5 de novembro, às 18 horas, no térreo da UniSantos, com o show “Tributo à Legião Urbana”, de Ricardo Alarcon e grupo, celebrando os 40 anos do primeiro álbum da banda e os 30 anos do último show de Renato Russo, realizado em Santos. A apresentação é gratuita e aberta ao público.

Na sequência, o cineasta e jornalista Felipe Novaes, diretor do documentário Chorão: Marginal Alado e da cinebiografia Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz (prevista para 2026), ministra a palestra de abertura, com inscrições gratuitas pelo link — os participantes receberão certificado.

Na quinta-feira, 6 de novembro, às 9h30, o fórum abre o dia com o painel “Tendências do Jornalismo Independente em Santos”, reunindo Flávia Saad, do Juicy Santos, e Diego Brigido, da Revista Nove, debatendo os desafios e transformações da comunicação cultural e digital.

Ainda na quinta, às 17 horas, acontece o painel “Tendências da Gastronomia em Santos”, com mediação da professora Michele Uemura, coordenadora do curso de Gastronomia da UniSantos, e presença confirmada da chef Maisa Campos. O encontro reunirá chefs e empreendedores para discutir inovação, identidade e o futuro do setor gastronômico na região.

Às 19h30, será realizado o painel “O Ator e a Comunicação”, com a atriz Ondina Clais, que já atuou com Vincent Cassel, Willem Dafoe e Selton Mello, e o ator santista Márcio Rosário, que viveu 25 anos em Los Angeles e trabalhou com Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger.

Na sexta-feira, 7 de novembro, às 9h30, será realizada a palestra “Inclusão Não Dói”, com Renato Di Renzo, coordenador da ONG TAMTAM, referência em arte, cultura e inclusão social.

Ainda na sexta, às 14 horas, acontece o painel “Mulheres na Política e na Cultura”, com as vereadoras Débora Camilo, Cláudia Alonso, Renata Bravo e a vice-prefeita Audrey Kleys, debatendo representatividade, liderança e os desafios da mulher nos espaços de poder e criação artística.

Além dos debates, o evento apresenta uma exposição com curadoria de Márcia Oquida, reunindo registros de shows históricos em Santos, de artistas como Raul Seixas, Titãs, Legião Urbana, Ira, Bad Religion, Shakira e Helloween. “Santos sempre foi parada obrigatória dessas bandas nos anos 1980 e 1990. A cidade teve uma relevância cultural tão grande quanto São Paulo nesse período”, comenta Azenha.

Cultura, política e inclusão

Os painéis abordam temas diversos, de gastronomia a representatividade política. “A gente entende cultura num sentido amplo. Cultura não é só arte, mas também história e tradição — e a gastronomia faz parte disso”, explica Azenha.

Outro destaque é o painel “Mulheres na Política e na Cultura de Santos”, que reunirá lideranças femininas da cidade. “A Câmara ainda é majoritariamente masculina. Queremos entender como as mulheres têm se colocado na política e contribuído para a cultura local”, cometa.

O jornalismo independente também ganha foco, destacando portais locais como Revista Nove e Lugares de Santos. “É importante mostrar que há outras vozes e que o produtor cultural pode se conectar com elas”, reforça o curador.

Impacto na cena santista

Com o apoio da Prefeitura de Santos e da UniSantos, que cede o espaço e promove o diálogo entre cultura e educação, o evento mantém o compromisso com a gratuidade e o acesso democrático. “É um evento aberto à comunidade, não restrito aos alunos. Com parcerias e apoio público, conseguimos manter tudo gratuito e ainda oferecer visibilidade aos artistas e palestrantes”, diz Azenha.

Ao longo de 12 anos, o Culturamente Santista se consolidou como ponto de encontro e articulação da cena local. “Muitos projetos nasceram aqui. Artistas se conheceram, divulgaram seus trabalhos e criaram novas parcerias. É um espaço de troca, aprendizado e fortalecimento da cultura santista”, afirma. “Quem vier pode esperar uma programação de qualidade, com gente que tem conhecimento de causa e carisma. É um evento que une cultura, educação, cidadania e memória. Uma chance de troca e descoberta da cena cultural da cidade — e o melhor: é gratuito. É só chegar”, convida Azenha.