
“A primeira impressão é a que fica para quem tem preguiça de olhar uma segunda vez.”
Day Anne – Pensadora
Ganhei um Kindle. Para um leitor voraz como eu, presente ideal. Lutei contra a ideia de comprá-lo. Acessar uma biblioteca enorme, através de algo fácil de carregar é ótima ideia, mas no fundo, senti como se fosse uma traição aos meus velhos amigos, os livros de papel.
Vasculhar uma livraria é uma diversão. Com esse espírito, abri o campo de busca desse novo amigo. Um título chamou minha atenção: Manual de Persuasão do F.B.I., de Jack Schafer e Marvin Karlins. Jack, ex-agente especial do FBI, fez carreira no Programa de Análise Comportamental, onde desenvolveu técnicas inovadoras para persuadir e detectar mentiras.
Aposentado, tornou professor universitário, consultor de segurança e autor de artigos e livros. Suas técnicas baseiam-se em avaliar pessoas, e, com base nisso, criar relacionamentos que levem a um ou mais objetivos.
Estamos falando de criar bases para iniciar e manter relacionamentos, logo, serve para usarmos em qualquer situação. Quem não depende de bons relacionamentos no seu dia a dia?
Conheço a questão o suficiente para ter certeza que para ser bom nesse tema, a primeira coisa a ser feita, é comunicar-se de forma assertiva.
Isso vai muito além das palavras. Comportamento e linguagem corporal dizem muito mais sobre você, do que suas palavras. Parar a análise e concluir algo definitivo sobre alguém usando apenas o que observamos na primeira impressão é pouco e impreciso.
Jack propõe um exercício, em suas palestras, que mostra o desafio de comunicar-se bem num mundo onde o contato direto entre as pessoas é substituído diariamente pelo virtual.
É o seguinte: convide duas pessoas para virem ao palco. Sentam-se frente a frente, contato visual pleno. Peça então que iniciem uma conversa de cinco minutos. O resultado é quase nenhum. Pede então que os mesmos participantes fiquem de contas um para o outro e iniciem uma conversa, usando um aplicativo de mensagens. A conversa, então, flui.
É aí que o problema começa: a comunicação acontece, mas não se transforma em relacionamento. Não há elementos suficientes para conhecer o outro. Os relacionamentos ficam na superfície.
O contato pessoal muda nossa percepção sobre o outro. Quantas vezes você encontrou-se no mundo real, com alguém com quem tivesse contato apenas através de e-mail ou rede social? Não sei qual é a sua sensação. A minha é: “Poxa, você existe de verdade!”.
O livro propõe uma fórmula para intensificar um relacionamento, que o autor chama de Fórmula da Amizade, matematicamente definida assim: amizade = proximidade + frequência + duração + intensidade.
Proximidade significa estar no mesmo espaço físico do outro e ser gradual e naturalmente percebido por ele.
Frequência, é o número de contatos que se mantem com quem pretende interagir, enquanto Duração é a quantidade de tempo que se passa com esse alguém. Frequência e Duração trabalham juntos e lembram quanto é importante estarmos presentes em eventos, reuniões, etc, onde os demais stakeholders de nosso ambiente profissional também estejam. Quase “ouvi” o que você pensou: Acredite, não é perda de tempo. É um enorme ganho, cada minuto que investimos convivendo com quem pretendemos criar relações.
Intensidade é o que solidifica o relacionamento, na medida em que a empatia é gerada, enquanto se conhece quão semelhantes são seus valores, conduta e comportamentos.
É uma teoria interessante. Você pode estar se pensando: Deveria ser o básico, o natural, não?! A pergunta, é: por que estamos fazendo, cada vez menos?
Vamos mudar? Torço por encontrá-lo no mundo real.



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