
Bon Appetit, Vossa Majestade encerrou no último domingo sua temporada como um daqueles fenômenos cujo sucesso ninguém ousava prever, mas que acabam entrando para a história: foi uma das maiores audiências já registradas por um dorama na Netflix. O segredo do sucesso? Nada de extraordinário. Pelo contrário: tudo ali é simples, quase ingênuo, como uma sobremesa leve servida depois de um prato apimentado. A série não pretende ser complexa nem reinventar a roda. O que ela faz é entregar, com muito charme e graça, todos os ingredientes que o público desse tipo de produção adora ver.
A trama parte de um ponto que poderia soar absurdo em qualquer outra situação: uma jovem chef contemporânea, habilidosa e de espírito livre, é transportada para o passado, bem no meio de um reino que vive à beira de desastres. Lá, encontra um rei de beleza imaculada, mas de temperamento difícil, predestinado a se tornar um tirano temido. O que poderia ser o início de uma tragédia se transforma numa comédia romântica com toques de conto de fadas.
E, assim como Sheherazade conquistava noites extras contando histórias ao sultão, nossa heroína conquista dias e noites cozinhando. Cada prato preparado não apenas alimenta o rei, mas suaviza sua fúria, dissolve sua brutalidade e abre espaço para que floresça, claro, o romance que o público espera.
O charme da série está em como leva a sério seu recurso narrativo mais curioso: a comida. A cada episódio, um novo prato da gastronomia coreana aparece em cena, não como detalhe, mas como verdadeira ferramenta de transformação. O espectador aprende, junto com o rei e seus súditos, a se encantar com receitas que vão do kimchi até sofisticados banquetes inspirados em pratos que foram criados bem depois da época da trama todos preparados como se fossem pequenas obras de arte. O dorama se aproveita da moda da culinária coreana e transforma a refeição em espetáculo, em metáfora de afeto e, sobretudo, em entretenimento visual irresistível.
É claro que nada disso funcionaria sem os clichês que todo fã de dorama adora degustar. A protagonista é graciosa, obstinada e doce, capaz de iluminar qualquer cena. O destino é implacável, mas o amor é mais forte. Bon Appetit, Vossa Majestade pode até ser considerada bobinha em sua ingenuidade (pelo menos até os dois episódios finais), mas é exatamente essa leveza que explica seu êxito: romance, fantasia, beleza e sabores exóticos.


Deixe um comentário