
Pode-se aprender tudo, inclusive a amar! E o mais estranho, Lóri, pode-se aprender
a ter alegria! – Clarice Lispector (“Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres”)
Não foi fácil decidir entrar na aula de natação. Achei que seria um mico nessa altura da vida tentar um esporte em que nunca me dei bem, nem gosto de pôr a cabeça embaixo d’água, mas é preciso assumir os medos. Sei que nadar traz muitos benefícios e resolvi começar. Nesta semana enfrentei a primeira aula e foi bem mais fácil do que imaginava.
Claro que a paciência da professora ajudou. E o mais engraçado aconteceu no final, quando chegaram as crianças da aula seguinte. Um garotinho de uns seis anos e a avó que estavam aguardando, ao perceberem todo meu sacrifício com a prancha e a respiração, me aplaudiam a cada chegada. Foi bom contar com o apoio inesperado.
Tudo isso para falar que aprender não tem idade. Se você tem vontade, vá em frente, não deixe a autocrítica e as opiniões alheias atrapalharem seu sonho. Estudar no envelhecer melhora a memória, a autoestima, a qualidade de vida e mantém a mente ativa e ocupada. Conheço muitas pessoas, mulheres principalmente, que resolveram fazer faculdade depois dos 60, 70 anos, e se deram muito bem, fizeram novos amigos, se divertiram e se sentiram motivadas para começar de novo. Os cursos online em todas as áreas são ótimas opções para quem não se anima com o presencial.
Dados recentes do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2025, do Semesp, mostram que houve um aumento expressivo de estudantes 60+, foi a única faixa que registrou crescimento nos últimos dez anos, com alta de 22%. E os mais velhos se empenham com dedicação, afinal sabem que é preciso aproveitar bem o tempo.
Outro ponto importante é a convivência com pessoas mais jovens, uma troca que pode ser rica e prazerosa. Muitas vezes ficamos limitados na zona de conforto, das certezas e dos preconceitos, correndo o risco de dar novos mergulhos. Um conselho: vá fundo! E se perder um pouco do fôlego, respire fundo, solte o ar e pense que a vida pode trazer novidades melhores do que as nossas expectativas.
DICAS DE FILMES
Minhas Tardes com Margueritte: Emocionante ver o encontro e a amizade do cinquentão embrutecido Germain (Gérard Depardieu) com a suave intelectual Margueritte (Gisèle Casadesus), que têm em comum a paixão pelos livros. Para ele, a dificuldade de ler na infância e ser alvo de brincadeiras dos amigos se transformou em bloqueio intelectual. O reencontro com o universo das letras amplia seu horizonte e devolve a alegria.
Uma Lição de Vida: Kimani Maruge (Oliver Litondo) é um queniano sobrevivente de guerra e que aos 84 anos que está determinado a aprender a ler e escrever num programa do governo. Ao descobrir que a campanha foi criada apenas para crianças ele se decepciona e é rejeitado em várias escolas até encontrar uma professora que resolve ensiná-lo junto aos demais alunos. É lindo acompanhar seu envolvimento e a realização de um sonho antigo.



Parabéns, Ivani, mais uma vez me encantei com sua escrita.
Sou uma adepta do aprender, indetedente da idade. As limitações estao presente. Mas, nós idosos devemos vencer o preconceito. O jovem também precisa aprender a conviver com o velho.
Parabéns, Ivani, mais uma vez me encantei com sua escrita.
Sou uma adepta do aprender, indetedente da idade. As limitações estao presente. Mas, nós idosos devemos vencer o preconceito. O jovem também precisa aprender a conviver com o velho.
Amiga eu sou bem adepta deste não tem idade para aprender. Meu marido aos 68 anos formou-se em direito também o ano passado É e começou a exercer este ano . Passou de primeira no exame da ordem e o TCC dele foi publicado.
Ivani, essa coluna foi um afago na mente e no coração. Que bom que faço parte do grupo de velhos que aprendem sempre. Vc vai passar a adorar nadar ou, pelo menos, brincar na água com prazer. Vc pode indicar onde assistir os filmes? Bjs carinhosos!
Está coluna tem sido muito rica em infirmação, reflexão e convite pra envelhecer com saúde ! Ótimas dicas culturais! Muito obrigada!
Muito obrigada pelo retorno. Fiquei muito feliz. A ideia é essa, uma conversa sobre temas do cotidiano que envolvem o envelhecer. Abraços
Como é gostoso fluir nos seus escritos. Parabéns por mais este auto desafio vencido. Um incentivo para pata todos nós. De sair de zonas de conforto, de ultrapassar o “tenho vergonha de fazer isto ou aquilo” ou “acho que não vai dar certo comigo”…
E não há limites para a aprendizagem né Ivani? Até morrer temos infinitas possibilidades. Parabéns por incentivar outras pessoas a se jogarem no novo. Um forte abraço