
Tenho 62 anos, oficialmente idoso, conforme a Lei 10.741/2003, embora sinta-me pleno, física e intelectualmente. Uma dorzinha aqui, outra ali. Só.
Não vou negar que seja bom encontrar uma vaga de estacionamento especial me esperando, nem que seja confortável entrar antes dos demais num avião. Esses pequenos benefícios, porém, não me tornam imune à necessidade de entender (mais do isso, sentir) o que é o ageísmo, uma daquelas palavras novas, que importamos para nomear uma ideia em moda ou em discussão. O termo vem do inglês ageism (age, idade), usada para descrever o preconceito contra pessoas mais velhas. Se fossemos usar o termo em português seria etarismo.
Alguns dirão: “Estou longe desta idade. O assunto não me interessa”. Calma. Se tudo der certo, um dia você vai enfrentá-lo. A alternativa, você sabe, é desconhecida o suficiente para não ser tão atraente.
Poderíamos escrever páginas e páginas sobre esse tema, se quiséssemos analisá-lo sob os diversos pontos de vista possíveis.
Como minha especialidade é o mundo corporativo e o do trabalho, vou focar apenas nesse aspecto. Deixarei de lado também, o preconceito contra profissionais dessa faixa etária, afinal, tem-se tornado mais e mais comum ver os 60+ chamados de volta ao trabalho para compor Conselhos e até para trabalhar com I.A. (Inteligência Artificial), dado possuírem vocabulário mais extenso e melhor capacidade de escrever. São as perguntas que movem o mundo, não?
Entendo que é necessário abordar esse assunto pois muitos de meus Colegas, Executivos e Consultores – um pouco mais ou menos – estão na mesma faixa etária e devemos, todos, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), vamos viver mais. Em 2023, a expectativa média de vida do brasileiro, atingiu os 76,4 anos. Em 2100, devemos chegar a 88,2.
Muito bom, mas, apesar dos números, a questão é, qualitativa e não quantitativa. Há muitos anos de trabalho ainda pela frente e queremos vivê-los de forma produtiva.
Há diversas indicações sobre como enfrentar positivamente essas questões, respeitados os limites da idade, que passam pela prática de atividades físicas, a manutenção da saúde mental, a preocupação com a boa alimentação, necessidade imperiosa de socializar, entre outras.
Indico o excelente documentário Como Viver até os 100: Os Segredos das Zonas Azuis. Em quatro episódios resume e mostra quase tudo o que é importante saber.
Pessoalmente tenho outra preocupação – essa sob o ponto de vista das organizações, que é o perfil dos líderes já temos e o dos que estamos formando para seguirem à frente desse processo.
Entendo que missão de quem estiver no comando dessa caminhada seja garantir que o conhecimento específico da gestão de qualquer atividade esteja compilado, organizado para ser continuamente disponibilizado.
Comandado por jovens ou idosos, o futuro das organizações de sucesso será garantido por processos de trabalho que funcionem por si, otimizados sempre, reinventados quando necessário e de regras de governança que se imponham sozinhas e não por pessoas e seu estilo pessoal de gestão.
Percebe o paradoxo positivo que estamos vivendo? Estamos ganhando idade, mas podemos – pelo aprendizado contínuo, trabalhando juntos, continuar rejuvenescendo.
Encerro voltando a Clint Eastwood: “Um homem deve conhecer as suas limitações.” Aos 95 anos, segue vivo, trabalhando e sem reconhecer suas limitações.



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