Blog do Carpentieri

A revolução das madames

09/01/2023
Reprodução

O ex-presidente Jair Bolsonaro está curtindo a vida na Flórida, mas suas digitais estão em todos os objetos depredados nas sedes dos Três Poderes em Brasília.

É público e notório que Bolsonaro estimulou o golpe e milhares de brasileiros embarcaram nessa aventura dantesca, que virou um filme de terror na tarde e noite de domingo (8).

Empresários poderosos bancaram os atos antidemocráticos, pagando ônibus, três refeições diárias e um acampamento de luxo à porta do quartel do Exército na Capital da República para milhares de pessoas.

Os que ali ficavam se auto-intitulavam “patriotas”, gente que resolveu salvar o Brasil do comunismo, pregando golpe militar e comendo churrasco patrocinado por bacanas.

A verdade é que milhares de cidadãos, de todas as idades, acreditaram no fantasma que Bolsonaro tirou do armário para manter sua tropa unida. Essa era a primeira fase de um projeto político de manutenção de poder.

A segunda fase da farsa era espalhar que as urnas foram fraudadas.

Para isso Bolsonaro contou com o apoio de jornalistas de aluguel, influenciadores, cantores e milhares de inocentes úteis que divulgaram fake News pelas redes sociais.

Na diplomação de Lula, “os patriotas” colocaram fogo em ônibus, atacaram a sede da Polícia Federal e instalaram o terror na Capital da República.

Manifestações pacíficas?

Nem tanto.

Como ninguém foi preso, os “patriotas” cresceram e promoveram domingo o espetáculo vexatório que colocou o Brasil nas manchetes dos principais jornais e TVs do mundo.

Tivemos cenas de violência e selvageria e até patéticas, como a de madames participando da invasão e tendo seu momento de “revolucionárias”, salvando o Brasil da ditadura comunista.

Viralizou a foto de uma senhora, sentada numa poltrona, de um ministro do STF, que havia sido arrancada e colocada no lado de fora da sede da Suprema Corte.

Pelo que se viu na foto, a madame só esqueceu de levar a bolsa Louis Vuitton.

Faz parte.

Difícil acreditar que tentativas de golpes com cenas tão exóticas, como o que se viu domingo, possam dar certo.

Mas…

Afinal, estamos no Brasil, onde até o passado é imprevisível, como disse certa vez o então ministro da Fazenda, Pedro Malan…

Resta saber se serão presos apenas os inocentes úteis e as madames da bolsa Louis Vuitton, ou se vai sobrar, também, para os financiadores e para o principal mentor do golpe fracassado – no momento, desfrutando os prazeres da vida na Flórida.