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A mudança do espelho na maturidade

12/04/2025 Vanessa Martins
A mudança do espelho na maturidade | Jornal da Orla

Era uma terça-feira comum. Daquelas em que o tempo parece se arrastar entre o segundo café e o fim do expediente. Na pausa do almoço, Marta, nossa personagem, se olhou no espelho do banheiro do trabalho. Não era a primeira vez que via aquelas linhas mais profundas em torno dos olhos, nem o contorno do rosto menos definido. Mas foi a primeira vez que olhou com atenção. E aceitação.

Desde que a menopausa chegou, de mansinho, entre noites mal dormidas e ondas de calor repentinas, a pele começou a contar outra história. Uma história que não cabia mais nos mesmos cremes de antes nem nos truques de maquiagem apressados.

A maturidade, afinal, não avisa — ela simplesmente vem. E com ela, a pele muda. A textura, o viço, até o jeito como o rosto responde ao riso. Segundo a Drª. Erika Kugler, especialista em estética facial, “a queda dos hormônios femininos na menopausa impacta diretamente a pele e os contornos do rosto. A perda de colágeno, hidratação e volume facial acelera o processo de envelhecimento, mas hoje temos recursos seguros e naturais para devolver estrutura e firmeza com resultados sutis e harmônicos.”

Não é só uma questão de estética, mas de identidade. A pele é a moldura daquilo que sentimos por dentro. E quando ela se transforma, é inevitável se perguntar: quem sou eu agora?

Durante muito tempo, envelhecer foi quase um tabu para as mulheres. Havia uma exigência silenciosa — e cruel — de que a juventude fosse eterna, como se rugas e flacidez fossem falhas, e não marcas de vivência. Mas hoje, felizmente, esse discurso vem mudando. E o cuidado com a pele na menopausa se apresenta não como uma tentativa de negar o tempo, mas como uma forma de caminhar com ele.

Cuidar da pele, nesse novo tempo, é também um gesto de gentileza consigo mesma. É entender que o colágeno diminui, sim, que a hidratação natural da pele já não é como antes, mas que isso não significa abandono — ao contrário. Significa escolha. Escolher-se.
“A menopausa não precisa marcar o fim da autoestima, mas sim o começo de um novo cuidado com o próprio corpo.

Quando a mulher entende essas transformações e escolhe se cuidar por ela mesma, a estética deixa de ser vaidade e se torna autoconhecimento”, reforça Drª. Erika.

Não se trata de esconder o tempo, mas de se reconciliar com ele. Há tratamentos que devolvem firmeza e luminosidade, que repõem o que os hormônios tiraram. Mas, mais importante que isso, há um olhar diferente sobre si mesma — mais maduro, mais consciente, mais livre.

No espelho do banheiro, ela se olhou de novo. Sorriu. Sim, havia linhas novas. Mas havia também uma serenidade que não existia antes dos cinquenta. A pele pode até ter mudado, pensou, mas ela também.

E, naquele momento, entendeu: envelhecer não era o fim da beleza. Era só um jeito diferente de ser bonita.