
Passar pela menopausa não é simples: ondas de calor, irritação e outros desconfortos podem abalar o dia a dia, mas essa fase tem fim e pode abrir caminho para uma etapa cheia de autoconhecimento e reinvenção. E depois, hora de aproveitar o envelhecer? Sim, desde que os cuidados com a saúde continuem. É assim que pensa a mastologista Simone Elias, médica que lida diariamente com um dos maiores temores femininos: o câncer de mama. Sua missão de melhorar a vida de pacientes que venceram a doença inspirou o livro Reflorescer – Transformando Pausas (Editora dos Editores), escrito em parceria com Patricia Helena de Jesus Teixeira, que viveu o tratamento e quis dar voz às dores e às descobertas dessa jornada. Nesta entrevista ao Jornal da Orla, Simone fala sobre saúde, prevenção e bem-estar após a menopausa.
Após a menopausa é preciso continuar se cuidando, certo?
Sim. Assim como em qualquer fase, novos desafios surgem, como maior risco de câncer de mama, doenças cardíacas ou osteoporose. Mas ajustes no estilo de vida e prevenção fazem toda a diferença. Menopausa, perimenopausa e climatério são apenas nomes para uma transição natural. O segredo é encarar essa etapa com leveza, humor e autocuidado.
É normal câncer de mama após os 60 anos?
A incidência aumenta progressivamente com a idade, especialmente após os 50 anos, devido a alterações hormonais e celulares que favorecem o desenvolvimento de tumores. Apesar disso, cerca de 33% dos casos surgem antes dos 50 anos, fora da faixa oficial de rastreamento (50 a 69 anos). Exames de rotina continuam sendo fundamentais nessa fase da vida. A fórmula detecção precoce + tratamento adequado = chance de cura, vale para qualquer idade.
Quando ocorre no envelhecer, costuma ser mais grave?
Não necessariamente. Em mulheres mais velhas, os tumores tendem a ser hormônio-dependentes, com prognóstico geralmente melhor. Porém, doenças associadas como obesidade e diabetes podem dificultar o tratamento. A recidiva (volta do tumor) depende mais do tipo, estágio do tumor e tratamento realizado do que da idade isoladamente. Se o câncer de mama for descoberto cedo a chance de cura pode passar de 90%.
Mulheres mais velhas ainda resistem aos exames anuais?
Infelizmente, sim. Muitas mulheres ainda associam mamografia à dor, ao medo; ou à falsa ideia de que “na idade delas não vale mais a pena”; ou “não tenho casos de câncer de mama na família”. Há também barreiras logísticas e emocionais. Campanhas de conscientização e abordagens acolhedoras ajudam a derrubar esses mitos.
Os sintomas no envelhecer são os mesmos?
Sim, os principais sinais são os mesmos, como nódulo palpável, retração da pele ou do mamilo e secreção mamilar. No entanto, mulheres idosas podem apresentar tumores menos agressivos, que evoluem mais lentamente e, por isso, os sintomas podem ser mais discretos e confundidos com alterações do envelhecimento natural da mama.
A mamografia deve ser feita até que idade?
As orientações variam, conforme a instituição. O Instituto Nacional do Câncer orienta mamografia bienal (a cada 2 anos) entre 50 e 69 anos. Já outras instituições brasileiras, como a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a Sociedade Brasileira de Mastologia e o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem têm diretrizes diferentes: a mamografia de rastreamento (indicada mesmo quando a mulher não tem sinais ou sintomas mamários) deve ser iniciada aos 40 anos. O exame deve ser realizado anualmente, mas a indicação é sempre do médico que conhece a história da paciente.
A menopausa aumenta o risco?
Por si só, não. O risco sobe com o maior tempo de exposição ao estrogênio, por exemplo, quando há menarca precoce (primeira menstruação antes dos 11 anos) e menopausa tardia (última menstruação após os 55 anos). A terapia hormonal, dependendo do tipo, pode elevar discretamente o risco, quando usada acima de 10 anos. A obesidade também é um fator relacionado cada vez mais às doenças crônico-degenerativas (como pressão alta e diabetes) e a alguns tipos de câncer, como o de mama e cólon (intestino).
Quais os sintomas que mais incomodam as mulheres na maturidade?
Na minha rotina clínica e por experiência pessoal (tive a menopausa por volta dos 45 anos), esses são os sintomas e queixas mais frequentes: fadiga, lentidão mental (brain fog), alterações de humor e do sono; fogachos (calores) com ou sem sudorese excessiva; alterações urinárias (síndrome urogenital); queda da libido; aumento de peso e mudanças no corpo.
Quais seriam suas recomendações?
Nunca negligencie seus exames de rastreamento, mesmo após os 60 anos; busque profissionais que acolham suas dúvidas e respeitem seu tempo; invista em qualidade de vida: alimentação equilibrada, atividade física, vida social ativa e saúde emocional; cuide do seu coração, o que mais mata mulheres pós os 50 anos são as doenças cardíacas e não o câncer de mama. E mais: não aceitem frases como: é assim mesmo… não tem o que fazer… faz parte da vida… Lembre-se: prevenção e diagnóstico precoce salvam vidas, inclusive após a menopausa.
Qual o seu propósito ao lançar o seu livro?
Reflorescer – Transformando Pausas é parte de um projeto maior. Nossa proposta é acolher, informar e transformar. É para todas as idades, para que as mais jovens se preparem para essa fase, mas é direcionado com um carinho especial para mulheres maduras, por muito tempo invisíveis à medicina e à sociedade. Pode ser um guia para qualquer profissional de saúde e para os parceiros dessas mulheres.



É preciso prestar atenção sempre, eu tive uma co eira no mamilo achava que fosse um espinha ou um cravo que iria sair, até que senti um nódulo que cresceu muito rápido, nao deu outra, carcinoma in sito quer dizer cápsulado fui a Dra Simone e fiz a cirurgia de retirada da mama, agora estou em recuperação, tudo dando certo, Obrigada Dra. SIMONE